A vida apenas, sem mistificação

Os Ombros Suportam o Mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

(Carlos Drummond de Andrade)

É tão estranho quando a única voz que se ouve é a da própria cabeça. Uma mistura de egoísmo com dúvida, mais um do que o outro. E quem não é egoísta ou vive em dúvidas? Drummond disse que não adianta morrer, então o jeito é seguir a “ordem”, seguir a vida sem mistificação. Como se fosse fácil, não?

O Beija-flor

Madrugada sem nenhum sinal de sono pela frente, resultado de uma boa tarde muito bem dormida depois de uma semana corrida, aliás, como tem sido ultimamente, não vejo a hora desse semestre acabar logo, estou a cada dia mais cansada, nunca vi… Esquecendo isso, vamos ao post!

Hoje vi o programa “Por Toda Minha Vida” que tinha como homenageado o Cazuza, então, aproveito que estou nem nada pra fazer – já cumpri minhas metas do dia – e adoro esse gênio, pra colocar aqui minha música preferida do poeta e embelezar meu lindo criado mudo!

 

Pra que mentir
Fingir que perdoou
Tentar ficar amigos sem rancor
A emoção acabou
Que coincidência é o amor
A nossa música nunca mais tocou

Pra que usar de tanta educação
Pra destilar terceiras intenções
Desperdiçando o meu mel
Devagarinho, flor em flor
Entre os meus inimigos, beija-flor

Eu protegi teu nome por amor
Em um codinome, Beija-flor
Não responda nunca, meu amor (nunca)
Pra qualquer um na rua, Beija-flor

Que só eu que podia
Dentro da tua orelha fria
Dizer segredos de liquidificador

Você sonhava acordada
Um jeito de não sentir dor
Prendia o choro e aguava o bom do amor
Prendia o choro e aguava o bom do amor

Obs: parabéns a produção do programa, que diferente da produção do filme sobre o Cazuza, simplesmente excluiu a história dele com Ney Matogrosso, como se isso não tivesse tido importância nenhuma. Adorei ouvir as palavras de alguém que verdadeiramente amou Cazuza de todas as maneiras. Lindo, só isso!

 

Mais um; Menos um

Sim, mais um post com a tag The Kooks, mas esse é rápido, só pra avisar que coloquei o Konk na listinha do “Ouça“.

E não podia deixar passar também de falar da morte do Michael Jackson, primeiro que foi uma mega surpresa e depois que foi muito triste, coitado… depois de todas as quedas, ele ia dar a volta por cima agora, realmente uma pena. O mais importante é que ele fez história na música, e até aqueles que não são fãs de carteirinha, como o meu caso, sentem a perda de um verdadeiro ídolo.  Vá em paz Michael!

Difícil escolher um clipe desse gênio dos clipes, mas eu adoro esse… Adoro a música também. (Obs: tentei achar um disponível, mas todos estão proibidos de incorporar!)