Sim. Só a faculdade garante bons profissionais!

Eu sou o tipo de pessoa que perde muito tempo em enquetes, adooooro uma enquetizinha, seja ela qual for, aí abri essa da Folha sobre a obrigatoriedade do diploma, e pra minha alegria e não surpresa a grande maioria é favor da obrigatoriedade sim. Tudo bem que não é a graande maioria, mas já vale pra se ter uma noção, não é?

Jornalistas devem obrigatoriamente ter diploma de jornalismo?

54%

9.041 votos
Sim. Só a faculdade garante bons profissionais

19%

3.235 votos
Não. Mas os de outra área devem fazer especialização

26%

4.366 votos
Não. Pessoas de qualquer área podem ser jornalistas
Total: 16.642 votos
Diploma: importante ou desnecessário?
Diploma:importante ou desnecessário?
Essa discussão sobre o diploma é complicada, de um lado tem os que defendem a “democracia” dando direito a qualquer um escrever e assinar como jornalista, mas não falam a respeito do nível dessas publicações, e do outro (eu tô nesse!) que pensa que democratizar a comunicação não é banalizar uma profissão tão séria e importante como a de jornalista, dando a possibilidade de qualquer um escrever não só o que bem pensa, até porque isso não tem nada de ruim, veja eu, não sou jornalista ainda e escrevo, mas de escrever aquilo que é mais conveniente, leia-se: aquilo que o patrão mandar.

Dei uma pesquisada e parece que nada foi resolvido ainda, houve mais um adiamento, dessa vez para o dia 22 de abril, vamos ver até lá o que acontee, o fato é que não só os estudantes de jornalismo, mas as pessoas em geral concordam que não “obrigando” o diploma o nível nos jornais e revistas vai cair e muito, e não estou falando aqui em nível gramatical e ortográfico, me refiro ao nível crítico mesmo, se as vezes até com um mínimo de criticidade pecamos, imagina sem base alguma? Vai ficar feia a situação!

Será assim: Escreveu e leu, o diploma é seu!?!
Será assim: Escreveu e leu, o diploma é seu!?!

Achei um blog muito bom de um jornalista melhor ainda, o Rogério Christofolleti, lá tem diversos artigos sobre o assunto, além dele estar acompanhando e postando quase diariamente sobre o tema, ele indica também textos de outros autores, e um que ele indiciou muito bom é esse do Laerte Braga: “Diploma é resquício da ditadura”.

Retirei os trechos mais interessantes, embora o texto todo seja ótimo:

 A decisão de regulamentar o exercício da profissão de jornalista através da obrigatoriedade do diploma foi tomada na ditadura militar. Ato Institucional nº 5, como forma de controlar a informação e impedir o acesso de críticos do período da boçalidade militar aos veículos de comunicação.

Uma das grandes preocupações dos ditadores e seus sicários era a presença de escritores, pensadores, lideranças políticas, trabalhadores, enfim, daqueles que não pudessem ser controlados ou regidos pelos patrões, então donos da ditadura. Patrocinadores da ditadura.

Transformou-se o ato de pensar, em termos jornalísticos, seja no buscar a notícia, no avaliar o fato, no interpretar, em uma questão técnica. Fale sobre isso em tantas palavras, o espaço é tal, ou você dispõe de dois minutos para expor esse assunto e, o principal, a ótica é essa, a do dono, do modelo.

Os cursos de comunicação foram sucateados na maioria das universidades públicas e na invasão de faculdades privadas. Hoje o jornalista é técnico, até na formação. Especialista. Aquele que tem o dever de saber um pouco de tudo, de indignar-se, de refletir a liberdade, é factótum do dono.

É a característica do jornalismo brasileiro, com exceções evidente. Mas é o padrão imposto pela mídia como fator de dominação e alienação. Tem jornalista especializado em analisar bundas, outros em falar dos castelos de Caras, outros em transformar porcaria em produtos largamente consumidos e vai por aí afora.

Era o objetivo dos militares, é o objetivo dos que controlam a informação e é a associação com o peleguismo sindical da Fenaj.

Depois tem uma parte muito boa sobre o “peleguismo” da Fenaj, vale a pena ler.

Não é o diploma que faz o jornalista, como, aliás, não é o diploma que faz o médico, o advogado, o engenheiro, quem quer que seja. É o talento e a capacidade de percepção da vida em seu sentido, sua essência, sua razão de ser e a necessidade da postura crítica e independente.

É impressionante como essa gente consegue embalar a mentira e vendê-la em caixas belíssimas desenhadas por desenhistas diplomados, vendidas por pelegos sustentados pela categoria sem perceber o engodo, transformando-a em produto democrático, como se democracia fosse produto desse tipo de procedimento.

O artigo completo e incrível está aqui. É importante que todos saibam desse assunto, já que o jornalismo não diz respeito só aos jornalistas, mas à toda sociedade, que muitas vezes se guia por ele. Pra encerrar, peguei essa frase do Veríssimo muito boa, trágica, mas pode ser real muitas vezes.

“As vezes a única coisa verdadeira num jornal é a data”

Luiz Fernando Verissímo.

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5 comentários sobre “Sim. Só a faculdade garante bons profissionais!

  1. A faculdade de jornalismo é muito necessária. Eu, como estudante de jornalismo, acho horrível essa história de quererem relativizar a nossa profissão, como se jornalista fosse menos importante que um médico, um dentista, um engenheiro, e por isso não necessitaria de bacharelado. Como querer bons profissionais sem a devida qualificação? Jornalismo é coisa séria! E, na faculdade aprendemos muitas coisas, não só teóricas, como práticas,inclusive no que envolve o relacionamento com colegas, professores, experiencias ótimas para a vida toda.

    • Sobre o post, ele parece defender o que todos (em suas respectivas áreas) defendem. Ou seja, elitizar a sua área (com papéis que sabemos que pouco significado tem). É muito fácil encontrar pessoas com mais qualificação sem diploma… Mas o texto defende a mesma coisa que os historiadores, geógrafos ou qualquer outra área defenderia. Se duas pessoas, uma tem diploma de historiador e outro não, o segundo não tem direito de escrever nada sobre história (porque não tem o papel chamado de diploma) e o segundo pode escrever qualquer besteira em periódicos (principalmente se tiver outros papéis como doutorado e mestrado (que podem ser conseguidos por dinheiro atualmente)).

      O que o texto mostra é insegurança por parte dos jornalistas formados. Note que isso acontece em todas as formações de humanas. Pois raramente o curso realmente diferencia um estudioso do que realmente fez o curso. O diploma dos cursos de humanas parece ser como um convite para uma panelinha juvenil. Se vc tem o diploma, vc faz parte da panelinha “intelectual” e tem as idéias ouvidas.

      Então se alguém quer falar sobre filosofia, ou coisas do tipo. Ele, antes, tem que batalhar para conseguir entrar na panelinha (senão as idéias deles não valem nada). Quando entram na panelinha, qualquer besteira que fale será considerada pela panelinha (pois o que vale não é a argumentação, mas sim os papéis de diploma).

      Bom, no caso do jornalismo, percebi pelo texto uma insegurança tremenda por parte dos jornalistas formados (assim como nós historiadores). Se houve essa insegurança, é justamente porque vcs não sabem se o que fazem numa faculdade realmente faz alguma diferença (ou é só uma jornada para conseguir o convite da panelinha).
      Se soubessem que faz diferença, estariam tranqüilos quanto ao “decreto”, pois saberiam que raras seriam as pessoas sem o diploma que obteriam “qualificação” para serem inseridas no mercado de trabalho e, por isso, o que estavam fazendo na faculdade era importante…
      Mas isso parece que não vêm ao caso. O post do jornalista (provavelmente), indica que realmente se trata de uma situação análoga ao de sociólogos ou historiadores (na verdade, pior ainda).

      Sinto que, para dar um tom pejorativo à decisão, o escritor colocou “decidiram que jornalismo não é mais profissão”.
      Ora, pois bem! Então quer dizer que tudo que não precisa de uma burocracia universitária, não é profissão? Pois então administrador não é profissão? Lixeiro não é profissão? Motorista não é profissão?

      Note que algumas exigências de diplomas para exercerem certa profissão fazem sentido. Como medicina, mas isso veio para proteger quem fosse precisar de cuidados médicos (para que esse não fosse tratado por um que não tivesse algum comprovante de que era capaz de exercer a medicina). Isso é muito diferente do caso do jornalismo. Por acaso precisamos de proteção contra idéias de quem não tem um diploma de jornalista em veículos de comunicação?
      Para que a utilidade do diploma? Pra proteger quem?

      Acho que qualquer idéia a esse favor está bem próximo de um pensamento nada democrático…

      Alguns contra-exemplos. Note que um contra-exemplo é a matemática. Existe o curso, existem os mestrados e doutorados. No entanto, ninguém é proibido de publicar algo ou exercer a profissão.
      Quano o assunto é ensino, fica diferente. Pois teoricamente há a proteção dos estudantes contra professores que não tivessem a capacidade comprovada de lecionar.
      Mas se provar algum teorema famoso, independentemente se vc for de 10 anos ou pós-doc, vc poderá publicar num periódico.
      A matemática, de fato, não é bom no contra-exemplo. Pois ela tbm está sendo contaminada por esse ar de insegurança (como os cursos de humanas).

      Mas existem outros exemplos, como administração e computação. Leia um pouco sobre a cultura hacker (não existe diploma que prove nada. Existe capacidade cada um).

      Bom, não tenho paciência para escrever sobre isso. eu ía colocar um pequeno comentário aqui e acabei me prolongando, por isso acabei colocando de forma confusa. Mas, de qualquer forma, ficam as perguntas:

      Para quê exigir o diploma de jornalista para exercer a profissão?
      Para proteger a populção contra idéias? (não-democrático isso, não?)

      Ou simplesmente para satisfazer o ego dos jornalistas formados? fazendo-os pensar que só eles são capazes de fazer o que eles fazem?

      Ou simplesmente para vcs não se olharem com “vergonha” nos corredores por vossa insegurança?

      Vcs acham que quando Abel (com 19 anos) provou com facilidade uma das maiores questões da álgebra (da época) e foi aceito para ser um pesquisador da academia de matemática, os matemáticos com diploma se olhavam com vergonha nos corredores?

      Vcs acham que aconteceria isso?

      Essa insegurança normalmente ocorre porque os inseguros têm mais papel (diploma) acumulado do que conhecimento (ou até mesmo qualificação) para o que faz.

      Um cara de programação (computação) ou um matemático não ficaria assim, pois ele sabe que ele pode estar lá possivelmente por causa dos papéis, mas principalmente pelo conhecimento e qualificação que vieram atrás desse papel.

      Um jornalista não formado não oferece risco a ninguém. E é só isso que deve ser levado em conta. Eu sei que existem muitas situações análogas, mas defendo que nessas situações deveria ter o mesmo tipo de medida.

      Fora isso, no caso de jornalismo existe uma questão profunda da democracia e liberdade de expressão.
      Note que com a exigência de diploma, o governo (seja lá qual for) poderia usar isso como ferramenta “anti-liberdade de expressão”, ferramenta de controle das idéias. Por exemplo, tirando do ar algum jornalista que não agrada o governo alegando falta de diploma.

      Bom, conselho: para acabar com essa insegurança, procure praticar na universidade algo que realmente diferencie sensivelmente um formado de um não-formado. Procure fazer com que a conquista do diploma venha com um sensível acúmulo de conhecimento e qualificação.
      De tal forma, que,ao completar o curso, o aluno não fique orgulhoso do diploma, mas principalmente orgulhoso dos conhecimentos e qualificações acumulados…

      E fique tranqüilo que sempre o diploma será de alguma forma uma referência para o empregador. Isso acontecerá mesmo com a qualidade dos cursos universitários que vem caindo (e se tornando cada vez mais afranciscados e cada vez menos útil). Eu não gosto desse último fato que explicitei, mas é verdade…

      Até mais!

      • Qualquer um pode exercer a atividade que quiser, se não gerar risco a outras pessoas.
        No caso da engenharia civil, precisa-se proteger as pessoas de que alguém que não tenha comprovadamente a qualificação para projetar uma estrutura segura, faça o que quiser.

        O que vc expressa nesse post seu é tão somente a insegurança que tem. Veja meu post. Isso pode ser mudado se o curso for estruturado de forma a trazer alguma coisa que deixe os formados confiantes de que estão mais capacitados em comunicação do que o resto.
        Vcs usavam o diploma como um comprovante de que faziam parte de uma panelinha.

        Veja o exemplo dos matemáicos. Ninguém é proibido de fazer algum trabalho em matemática por não ter um diploma. A mesma coisa para os físicos, os de ciência da computação, etc…

        EVIDENTE QUE COMUNICAÇÃO QUALQUER UM PODE FAZER, MINHA QUERIDA!

        Agora, vcs que tem que fazer um curso de tal forma que alunos saiam confiantes de que tem algum diferencial em relação aos não formados! E ESSE DIFERENCIAL NÃO É O PAPEL!
        Se esse diferencial é só o papel (e é isso que vcs dão a entender), então, de fato, o que aconteceu deveria acontecer…

        LEIA MEU POST ACIMA!

        Que algum dia os jornalistas formados não se sintam tão inseguros diante de uma coisa tão natural quanto essa! Ou seja, que algum dia, vcs se sintam seguros de que estão realmente acumulando algum tipo de informação que diferenciem jornalistas formados dos não-formados! Assim como administradores, matemáticos, físicos, cientistas da computação…

        Leia o comentário que fiz acima (fizemos)

        Até mais e boa sorte na sua carreira (diplomada ou não)!

        ESSES COMENTÁRIOS SÃO COMENTÁRIOS QUE COLOQUEI NUM POST DE OUTRO BLOG SOBRE O MESMO ASSUNTO.

        A faculdade não garante bons profissionais (com a queda rescente do ensino das faculdades, estamos dando diplomas mais para espertos do que para qualificados).

        Fora isso, é evidente que a qualidade de um proffisonal depende apenas dele…

        E saiba que registros de profissionais servem para proteger os cidadãos de profissionais mal qualificados (se essa má qualificação for maléfica). No caso do jornalismo, isso não ocorre (não é maléfico: espero que vc pense assim).

        Sobre o próprio título, se fosse verdade, nós todos (exceto eu) não estaríamos com essa insegurança. Pois todos os posts de blogs da wordpress de jornalistas apenas demonstram insegurança diante dessa situação. A pergunta fica:
        Da onde vem essa insegurança? Será que é por que a única diferença entre um formado e um não-formado é o papel (o diploma)? Quer dizer que não conseguimos um curso que diferencie realmente um formado de um não-formado?

        Será que o diploma era o nosso passaporte entrar numa panelinha sem sentido?

        Será que, ao se formar, o aluno não consegue ficar confiante por causa dos conhecimentos e qualificações acumuladas (em vez do diploma)?

        ………….

        Existem muitas mais perguntas. São muitas e muitas perguntas… e respostas completamente desconhecidas (ou melhor, conhecidas e, por isso, que existe todo esse ar de insegurança).

        Abraço

  2. Certamente Ana na faculdade aprendemos muito, até porque se isso não acontecesse qual a razão dela existir, não é?!

  3. Olha Marcelo, o que eu disse no meu post, e o que eu penso sobre esse assunto da obrigatoriedade do diploma não tem nada ver com “criação de panelinhas”, até porque quem me conhece sabe muito bem que odeio esse tipo de comportamento.
    Fora isso, concordo com você que todos tem direito a liberdade de expressão, isso ninguém pode contestar, mas a questão central desse problema, não é se qualquer um poderá escrever, mas sim, de que forma isso será usada contra a sociedade, acredito que sem um “empecilho’ como o diploma, agora será muito mais fácil e infelizmente “legal” contratar quem quer que seja para divulgar idéias de quem quer que seja, ou seja, a ética estará cada vez mais comprometida.

    Quanto a suas colocações, muito preconceituosas por sinal, tratando estudantes de jornalismo como seres metidos e loucos pra esfregar diplomas na cara dos outros, acho completamente equivocada, é claro que devem existir alguns desse tipo, mas generalizar não é o caso. E outra, fazer comparações entre jornalistas, administradores, lixeiros e engenheiros, não faz sentido algum dentro desse contexto.

    O diploma não serve para segregar os “estudados” dos “não-estudados”, mas acredito que um curso com 8 semestres envolvendo diversas matérias, desde Técnicas em Fotografia até Teoria Política deve ter algum motivo para existir e para qualificar alguém.

Solte o verbo!

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