“Entre os muros da escola”

Eu sempre tenho minhas dúvidas quando um filme leva algum prêmio, porque hoje em dia as premiações estão muito mais políticas do que culturais ou qualitativas, vê-se por exemplo o último Oscar que foi pra “Quem quer ser um milionário”, que nada mais foi um prêmio político, não que o filme seja horrível, não, ele não é, é só péssimo mesmo. E já que a Índia “tá na moda”, então vamos dar um prêmio para eles, incentivá-los a continuar, iludi-los só mais um pouco; bom, politicagens a parte não estou querendo falar desse filme, saio da Índia e vou pra França, falar de “Entre Les Murs”.

Sendo o país que mais produz cinema, esse não merecia tanto assim.
Sendo o país que mais produz cinema, esse não merecia tanto assim.

Entre os Muros da Escola é o último ganhador da Palma de Ouro em Cannes. O filme é muito bem dirigido por Laurent Cantet, que usou  basicamente duas locações: a sala de aula e o pátio da escola, essa escolha faz com que quem está assitindo “entre” naqueles ambientes, nos aproximando dos conflitos que com o tempo surgem. Assim ele retrata com maestria o dia-a-dia de uma sala de aula da sétima série do rede pública de Paris.

A característica mais marcante do filme, além da própria história e das belas imagens da cidade francesa foi a opção do diretor de não usar atores profissionais para interpretar personagens incríveis. Fato aliás que já tinha me impressionado no último filme estrangeiro que vi, Tartarugas podem voar (post sobre o filme aqui). Todos os papéis principais foram interpretados por alunos e professores de verdade, quer não recebiam roteiro, agiam naturalmente , criando seus próprios dialógos, inclusive o papel de Sr. Marin, que foi interpretado por François Bégaudeau, que é professor de ensino médio e que escreveu o livro que inspirou o filme.

O filme retrata com muita sensibilidade a difícil relação de convivência entre professores e alunos, e levanta muitas questões sobre o atual sistema de ensino (não só francês), expondo todos as suas falhas e questionando se o formato de escola conhecido hoje em dia e que persiste  há anos realmente é a melhor maneira de formar e instruir crianças e adolecentes conscientes e independentes, ou é apenas mais um mecanismo governamental de comandar a situação das pessoas desde cedo.

"Entre os muros da escola", França 2008
"Entre os muros da escola", França 2008

Além disso, ele toca num assunto muito popular e empurrado pra baixo do pano na França, que é a questão do grande número de imigrantes a cada dia no país, trazendo suas cores, culturas e religões, batendo de frente com as novas identidades culturais. No fim, o filme sai do clichezão americano, de um pobre professor que vai para uma péssima e escola e ou se dá mal, ou é o grande bonzinho da história, e vai para um lado mais amplo e que atinge todo mundo.

Um filme pra ser visto e principalmente merece ser pensado e discutido. Coloquei o trailer do filme legendado, já que o francês é uma língua lindíssima de se ouvir, mas meio complicado de entender, né?!

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2 comentários sobre ““Entre os muros da escola”

  1. Amo filmes franceses, e esse é muito bom. Parabéns pela escolha, pq poucas pessoas que eu conheço já viram ele…

Solte o verbo!

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