Para abrir os olhos

Acabo de ler uma matéria muito interessante e que por isso merece ser postada, trata-se de uma entrevista com um alemão muçulmano que acaba de lançar uma grife de camisas “protestantes” contra os sucessivos ataques aos muçulmanos, associando-os ao terrorismo e tudo mais de ruim, o fato é que essa grife está conquistando os jovens e fazendo com que eles se orgulhem do que são e demonstrem isso usando as camisas.

"Eu amo meu profeta" / "Hijab, meu direito, minha escolha, minha vida"
"Eu amo meu profeta" / "Hijab, meu direito, minha escolha, minha vida"

Como já postei aqui, discutir religião nunca dá certo, cada um tem a sua e ponto final, mas o que fazem com o povo muçulmano é terrível, assim como fazem com as pessoas da favela, julgam todos pela minoria. A minoria é da bandidagem, e todos levam o “crédito”… a minoria é terrorista louco e todos levam a fama.

O fato é que são atitudes com as desse alemão muito gente boa que mudam as coisas, e eu adorei as camisas, usaria sem problemas, mesmo não sendo muçulmana, parabéns pra ele pela idéia brilhante e vida longa a StyleIslam!!

"Terrorismo não tem religião"
"Terrorismo não tem religião"

ENTREVISTA DA REVISTA ÉPOCA COM MELIH KESMEN

ÉPOCA – Como você teve a idéia de criar a StyleIslam?
Melih Kesmen
– A idéia surgiu quando publicaram aquelas charges na Dinamarca [em setembro de 2005]. Por um lado, fiquei pensando que a atitude do jornal foi incrivelmente errada, pois as relações do Ocidente com o mundo muçulmano não estavam nada bem. Ao mesmo tempo, fiquei bravo com meu povo, pois os via na televisão queimando bandeiras e fazendo outras coisas do tipo em países como o Afeganistão e o Paquistão. Pensei, então, que deveria haver um modo de mostrar minha posição de maneira positiva, produtiva e criativa, especialmente sendo muçulmano, e aí fiz uma camiseta para mim com a inscrição “eu amo meu profeta”.

ÉPOCA – E qual foi a repercussão?
Kesmen
– Na época eu morava em Londres e nunca esperava a reação que obtive. Mas em restaurantes e pubs muitas pessoas vinham me perguntar onde eu tinha comprado a camiseta e se eu podia fazer uma para elas. Foi interessante também o fato de muitos não muçulmanos terem gostado, pois eles viam as diferenças entre a forma que eu estava me comunicando e aquelas imagens de protestos nos jornais.

ÉPOCA – É verdade que você recebeu ameaças por conta de uma camiseta com a inscrição “Jesus era muçulmano”?
Kesmen
– Sim, aconteceu há um ano. Do ponto de vista linguístico não há problema com a palavra “muçulmano”, pois em árabe ela significa “alguém que serve a Deus”. E Jesus foi um dos principais profetas do Islã. Mas depois dos incidentes mudamos o design para “Jesus e Maomé, irmãos na fé”. A mensagem é a mesma. Nunca houve a intenção de provocar algum grupo, mas se você quer construir pontes para unir culturas e religiões, sempre haverá pessoas que não gostam disso. São aqueles completamente radicais, que tivemos de aprender a ignorar.

ÉPOCA – Você acha que essa combinação entre fé e moda pode servir para outras religiões?
Kesmen
– Desde que a mensagem seja positiva, que a intenção seja apenas comunicar o que você é, com o que você se identifica, e aproximar as religiões, todas os credos deveriam fazer isso. Se a ideia geral é positiva e tiver como objetivo aumentar o diálogo entre as religiões, eu espero que eu consiga inspirar judeus e católicos a tomar uma iniciativa parecida.

ÉPOCA – O Islã tem uma imagem carregada de radicalismo no mundo ocidental. Você acredita que seu trabalho pode ajudar a mudar essa imagem?
Kesmen
– Tenho certeza disso. As reações da mídia ocidental mostram que as pessoas estão esperando surgir uma imagem mais positiva do islamismo. Elas esperam que os muçulmanos mostrem que fazem parte da civilização ocidental e que podem ser produtivos nesta sociedade. Eu posso dizer que sou um europeu muçulmano.

ÉPOCA – E qual é o futuro da StyleIslam?
Kesmen
– Queremos criar mais produtos para garotas, pois há uma grande demanda. Será um desafio pois a vestimenta das mulheres muçulmanas é muito diferente no Ocidente e nos países islâmicos. Estamos fazendo hijabs [véus] e túnicas e tentando unir a humildade da vestimenta islâmica com a modernidade.

Pra conferir a matéria “Ser muçulmano está na moda” completa, tá aqui.

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