É preciso ser de vez em quando infeliz

Acho que já escrevi aqui que não sou uma graaande fã de poemas, não sei porque, mas realmente não é o meu tipo de literatura preferida, sou mais fã de crônicas, por exemplo, mas o fato é que sei reconhecer uma bela poesia ou poema, e nesses últimos dias tenho lido bastante Fernando Pessoa, por isso decidi fazer esse post pra ele. A princípio seria mais um trabalho pra faculdade, mas acabou se tornando uma ótima descoberta. É óbvio que já tinha lido Pessoa, mas eu acho que por ter lido um pouco sobre sua vida, os seus heterônimos/personagens, fiquei mais interessado nele. O cara já escreve bem, e ainda “cria” outros pra escreverem em nome dele… dá pra entender?

FERNANDO_PESSOA_-_PRETO_E_BRANCO[1]
Fernando Pessoa

Bom, dos três heteronômios de Pessoa, acabei tendo um preferido, o Alberto Caeiro, os outros dois: Álvaro de Campos e Ricardo Reis são ótimos também, mas o Caeiro me pegou mais pelo seu desapego pela coisas da vida, o “deixa pra lá”, o amor pela natureza, enfim, a maneira de tentar ver o mundo de forma mais simples, sem muitas reflexões e significados, que se for pensarmos bem é a maneira certa de ver, como ele mesmo disse, “as coisas são apenas as coisas”.

A obra-prima dele, na minha opinião, é o “Guardador de Rebanhos”, li inteiro e deixo aqui o meu poema preferido que tem uma das frases mais bem escritas de todas: “É preciso ser de vez em quando infeliz, para se poder ser natural…”. Lindo isso né?

Se Eu Pudesse
Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe uma paladar,
Seria mais feliz um momento …
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural…
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva …

     O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica…
Assim é e assim seja …

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3 comentários sobre “É preciso ser de vez em quando infeliz

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