Análise, um mês depois

Sabe quando você entra em algo sem saber exatamente do que se trata? E pior, mesmo depois de descobrir, você (não sei por que) continua? Pois é, essa sou eu e minha breve experiência com a carreira acadêmica.

Tudo começou há mais ou menos um ano, quando passei a fazer parte de um projeto chamado Voluntários de Iniciação Cientifica (VIC) na UFMT. Basicamente o que eu sabia é que estudaria jovens, internet e jornalismo ao lado da professora Janaína Capobianco e minha brother, Laís. Até aí tudo bem, já que os temas me interessavam bastante e as reuniões com as duas eram sempre divertidíssimas. O tempo foi passando e vi que nem tudo eram flores. Cronogramas, relatórios, fichamentos, entrevistas, ABNT, resumos, seminários, e mais um monte de coisa que nem me lembro agora, mas que foram me mostrando o que é essa tal carreira acadêmica.

Um dia conversando pelo GTalk com minha amiga, Larissa, “ouvi” o que precisava naquele momento de desabafo, desilusão e tristeza. Ela me disse que na vida precisamos passar por coisas nem tão boas para termos certeza do que queremos realmente. Bom, depois do que passei posso dizer: adoro a comunicação, mas não essa parte chata (que fique bem claro, na minha opinião).

A certeza mesmo só se concretizou com a minha ida ao XXIII Intercom, um evento muito importante e válido pra quem quer atuar na área, leia-se, todos, menos eu! Depois de dias e dias de correria, lá fomos eu e Laís rumo à Caxias do Sul (RS). Horas de viagem sentadas nas poltronas de emergência do avião (um abraço para o moço do check-in que nos colocou lá!), paradinha em Guarulhos pra comer o pão de queijo mais caro da história e chegamos em Porto Alegre. Tudo lindo, já estávamos de casaco felizes da vida por termos deixado o calor cuiabano há quilômetros de nós.

“Muito estranho não ter dado errado, né, brother?”. Ai, como nos enganamos fácil. A partir desse momento começa a verdadeira saga para chegar em Caxias. Pensem em horas, pois é, foram muitas horas dentro de um ônibus em que a cada momento chegava uma informação: vai pra Caxias, não vai pra Caxias, para na pousada, “não sabemos onde fica a pousada”, não para na pousada, para na rodoviária de Caxias, o último ônibus já saiu da rodoviária, até surgir a melhor: vocês serão as últimas a desceram do ônibus. “Ok, não estou nem um pouco cansada e perdida.”

Universidade de Caxias do Sul (UCS)

Enfim, chegamos na Universidade de Caxias do Sul (UCS), local do encontro e diga-se de passagem, que local. A universidade é incrível, super arborizada, florida e muito, muito, muito gelada. Depois de uma conversa, descobrimos que além de termos perdido o credenciamento também não havia ônibus para nos levar até a pousada em Bento Gonçalves. Até esse momento meu nível de desespero e raiva chegou ao ponto máximo, não me lembro de muita coisa, porque o cansaço também era grande, mas estava xingando qualquer um a qualquer preço. Vontade de voltar pra casa? Total!

Dramas a parte, uma coisa boa tinha que acontecer. Encontramos um “anjo” que nos tirou de todo aquele aperto. Mesmo atoladas naquela maré de azar, conseguimos nos alegrar no fim da noite graças à outra Larissa, uma gaúcha muita gente boa e que apesar de nunca termos visto na vida nos ajudou mais do que muitos conhecidos por aí. E põe ajuda nisso! Por um breve momento acreditei numa “força maior” que colocou aquela guria ali, mas depois cai na real e sei que a vida é cheia dessas surpresas boas. Fiquei feliz por ter passado por mais essa.

Tá, agora que os detalhes já foram descritos, quero escrever sobre a experiência acadêmica.

Nunca fui do tipo que vangloria as pessoas, já até escrevi sobre isso, eu acho. Salvo algumas exceções musicais, pra mim, todo mundo é igual, mas no meio acadêmico isso é visto de forma bem diferente. Como? Eu explico em uma cena.

Estava sentada tranquilamente tomando meu chocolate quente (delícia!) numa praça da UCS, ao lado de uma senhora. Ela vai embora e surgem umas meninas vindo falar comigo: “Você não falou nada pra ela?”. Perguntei “ela quem?”. Foi o suficiente pra receber aquele típico olhar de reprovação das pessoas que mais odeio no mundo: os “endeusadores”, conhecidos também como puxa-sacos ou simplesmente, pessoas que eu odeio. Pra mim pouco importa se você é mestre, doutor, pós-doutor, sem graduação, com 10 livros publicados ou 20 artigos apresentados em congressos, vou tratar do mesmo jeito. Quando me dei conta de que poucos pensavam assim por ali, falei pra mim mesma: “Bruna, saia dessa, agora mesmo!”. Isso depois de alguns goles de vinho, uma noite fria e solitária num ônibus com meu mp3 no volume máximo pra não ouvir a voz de mais ninguém, transformaram-se em lágrimas, muitas lágrimas. É, esse era meu adeus à carreira acadêmica e suas disputas intelectuais.

Confesso que é um pouco frustrante ter dedicado quase um ano da minha vida numa coisa que eu realmente acreditava que fosse dar certo e no fim das contas perceber que não era nada disso que eu queria. Por outro lado, aprendi teorias, conheci autores, participei de debates e palestras interessantes, troquei idéias, falei em público (ok, isso não foi legal), “produzi conhecimento” que eu espero ser proveitoso para outras pessoas e mais do que tudo, fiz o que me deu vontade.

Coisas boas do Intercom?

Saber que seja pra onde formos, eu e Laís sempre voltaremos com histórias hilárias para contar. Somos brother na merda e na merda! Fico maravilhada quando percebo como duas pessoas tão diferentes em alguns aspectos possam se dar tão bem em quase todos. Acho lindo!

Flores de Caxias do Sul

Além disso, conheci melhor o Sul do Brasil, uma região linda pelas paisagens, cores, cultura, gastronomia, arquitetura e seu povo, e não digo isso pelos lindos gaúchos e gaúchas que vi, mas pelo carisma e respeito que essas pessoas me passaram. Sem contar as dezenas de pinheiros que vi e fotografei, logicamente! Lembrarei com muitas saudades de tudo que passei nesses dias, mesmo sabendo que não darei continuidade nisso. Foi ótimo por tudo que significou, mas ACABOU!

p.s:  Fui lembrada pela Laís de um fato peculiar dessa história toda. Na volta do Intercom, tudo certo nos aeroportos de Porto Alegre e Curitiba, já em Campo Grande, não. Depois de quase uma hora esperando dentro do avião, o piloto explicou o motivo da demora: o avião estava sem o transporder. Quer dizer, só nosso amigo Paulo Gustavo nos entenderia nesse momento.

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4 comentários sobre “Análise, um mês depois

  1. Olá, Bruna. Entrei faz pouco tempo num projeto de pesquisa e confesso que não está sendo fácil. Lendo seu post, fiquei mais preocupado ainda. Será que me decepcionarei também, já que não faço a linha “puxa-saco”? =(

  2. Olha Oscar, se você não faz muito essa linha pode ter certeza que se decepcionará, sim, mas também não deve ser por isso que você deve largar a carreira acadêmica. No post relatei a minha experiência, conheço muitas pessoas que se sentem realizadas e planejam alcançar muitas coisas na academia. Acho que não se deve desistir sem antes conhecer como funciona. Boa sorte pra você! 🙂

Solte o verbo!

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