Sofra bullying você também

Sou negra, uso óculos, nunca fui magra e até uma época da escola, era uma das melhores alunas da sala, também conhecida como CDF. Essas características fizeram de mim “alvo” das crianças na escola. Apelidos maldosos, brincadeiras sem graça, isolamento gratuito, passei por tudo isso antes mesmo de saber o porquê, antes mesmo de me sentir ofendida. Não dava importância para os babacas que faziam isso comigo. Talvez se tivesse dado, não teria tido a infância feliz e normal de que tanto tenho saudades.

Trouxe essas recordações pessoais pra traçar um paralelo ao que acontece hoje com as crianças. Nas últimas semanas, o que mais se tem falado é no bullying. Esse termo, derivado do verbo inglês bully (adjetivo empregado àquele que ameaça, amedronta), significa intimidar outra pessoa seja física ou moralmente. Na maioria dos casos, essas ações são praticadas em público para que a humilhação seja maior.

Crianças são cruéis, crianças quando querem ser cruéis, são muito mais. Criar apelidos, rir do colega diferente e tramar pegadinhas sempre fizeram parte do universo e desenvolvimento de uma criança. O que me preocupa é como isso tem sido exposto pela mídia. Parece que do dia pra noite, é só uma criança chorar na escola que ela é vítima de bullying. Se for gordinha ou com algum problema, aí que é bullying mesmo. Basta entrar nos sites de notícia pra verificar isso. “Jovem abandona escola vítima de bullying”, “Menino que sofria bullying entra e mata colegas de sala”, ou seja, virou moda sofrer bullying.

Sou diferente, e daí?

Campanhas publicitárias, programas de televisão, telejornais e as redes sociais têm pautado com uma frequência insuportável o assunto como se fosse novidade. Como disse lá no início, isso aconteceu comigo, provavelmente com você e, pode acreditar, acontecerá com seus filhos e netos.

*Bruna Pinheiro sofreu bullying na infância e nunca abandonou a escola nem matou seus coleguinhas por isso. Vontade não lhe faltou.


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6 comentários sobre “Sofra bullying você também

  1. Gostei muito do texto, Bru. E vale ressaltar que o tal do bullying não acaba quando acaba a infância, bem pelo contrário. Ele vai aumentando conforme aumenta a idade, a capacidade de ser cruel e a criatividade pra praticar essa crueldade das formas mais variadas.
    Daí se a gente continua alarmando a coisa desse jeito, daqui a pouco a moda vai ser gente grande largar o emprego porque tá sofrendo essa merda.
    Quer dizer… Vamos compactuar com os filhos da puta que se acham melhores do que os outros? Não, não vamos. Mas se assumir como o pobre coitado nunca resolveu o problema de ninguém, né?
    Mais uma vez a mídia e seja lá quem foi que começou com isso ataca o problema do lado errado. Invejo você por ter conseguido uma infância feliz apesar de tudo isso. A minha foi uma merda. A adolescência umas 3 mil vezes pior. E, agora, adulta, a coisa continua piorando. Se tem uma coisa que quero ensinar pros meus filhos e netos, futuros sofredores desse lixo de planeta, é a tocar o foda-se nesse bando de babaca que não percebe que todo ser humano é feito exatamente do mesmo tipo de merda.
    Daí que a Boddinha traumatizada quase escreveu mais do que a dona do blog. Hahaha, malz aê. :*

  2. Obrigada pelo comentário-depoimento, Géssica. Você tem toda a razão, o bullying só piora com o passar do tempo mesmo. E muitas vezes dói mais do quando somos crianças, porque, sei lá, agora temos noção do que estão fazendo com a gente. Acho que o ensinamento do “foda-se” vai ser muito bem dado por você aos seus filhinhos e netinhos. Haha. Esqueça os babacas do passado que os do presente, passarão também, pode acreditar! Beijo.

    ps: que tal atualizar seu blog, hein, Boddinha?! Quero comentar lá também! 😀

  3. Bom dia, Bruna! É bom ver posts como o seu sobre esse assunto.Quanto mais vermos o bullying como parte de uma fase em que TODOS temos que passar, menos demonizado ele será. Salvo algumas exceções realmente exageradas e violentas, fazer brincadeiras com as diferenças dos colegas na infância é natural. Há sim, muito exploração desse assunto na mídia, em busca apenas de chocar as pessoas. Falta diálogo e um melhor tratamento do tema nas escolas e em casa.
    Adorei seu blog, moça inteligente!

    ps: parabéns por ter “vencido” o bullying na infância, como você mesma disse, não ligou para os babacas, bem feito para eles! 🙂

  4. Oi, João Victor. Obrigada pelo comentário!
    Falta diálogo nas escolas e em casa sobre muitos assuntos, né, esse poderia ser melhor tratado também.

    ps: babacas são só babacas! Deixo eles pra lá. 😀

  5. Adorei o post, Bruna! Apesar de escrito há quase 4 anos tá super atual. Como a maioria d apopulação mundial, tbm sofri bullying quando criança, mas no meu caso, as piadas de mau gosto partiram para agressões e eu até tive que mudar de escola por isso. Hoje tenho 28 anos de idade e uma filha de 3. Quero muito que ela seja forte e auto suficiente para se garantir quando as primeiras brincadeiras surgirem. Quando se é pai, o medo de ter um filho machucado é algo terrível, mas prefiro acreditar que ela vai dar conta.
    Depoimentos como o teu podem ajudar muito nessa construção. Às vezes tudo que um ser humano agredido precisa ouvir é que “isso vai passar”. E passa mesmo. Deixa algumas cicatrizes, mas passa.

    Forte abraço e sucesso pra ti!

    • Oi, Edu! Super obrigada pelo comentário! Até imagino a tensão que você passa por não querer que sua filha sofra ou seja rejeitada ainda pequena. Dê força pra ela e ensine que ela é muito mais do que qualquer um fale ou deixe de falar.
      Boa sorte pra você e pra ela também! 😀

Solte o verbo!

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