There’s still a light that shines on me

23 de maio de 2011, vi o show do Paul McCartney no Rio! Começaria assim minha autobiografia ou até mesmo colocaria isso na minha lápide. Sabe aquela coisa de “depois disso, posso morrer feliz”? Então, estou me sentindo assim. Ainda não consigo acreditar, nem raciocinar direito sobre o que foi aquela noite. Só sei de uma coisa: nunca fui tão feliz na vida! E feliz em todos os sentidos que essa palavra possa ter. Feliz por ser fã de Beatles e ter o Paul como o meu preferido desde sempre. Feliz por estar no Rio, que continua lindo e com pessoas mais lindas ainda. Feliz por não ter desistido quando a primeira dificuldade apareceu e eu quase não fui ao show. Feliz por tudo. Feliz por estar viva e ali tão perto de Sir Paul McCartney. Feliz por ver tantos velhinhos felizes como se fosse adolescentes de novo. Feliz por ver que a magia dos Beatles continuará para sempre. Feliz por ver tanta feliz junto comigo, cantando e chorando, chorando e cantando, chorando sem cantar e cantando sem chorar.

Cresci ouvindo Beatles, amo Beatles, não seria a mesma pessoa que sou sem ter conhecido Beatles. É a melhor banda do mundo e ponto final. E o Paul, bom, o Paul é o meu preferidinho, né. Meu pai tinha (e ainda tem) VHS de shows e programas de televisão com eles, e por mais que eu achasse todos bonitinhos e legais, era o Paul que me chamava atenção. Com o passar dos anos, fui crescendo e acompanhando a vida e a carreira solo dele. Ele começou a seguir outros passos além da música e foi aí que eu realmente não tinha mais dúvida de que Paulzito já estava no meu coração! Daí que no ano passado ele tocou no Brasil e eu não consegui ir, foi triste de verdade e eu achei que uma chance dessas demoraria anos pra acontecer ou até nunca mais aconteceria. Pra minha alegria e descontrole, tudo mudou. Paul anunciou UM show no Rio de Janeiro. Mais uma vez não consegui meu ingresso, já que esgotou tudo em instantes. Não podia acreditar que tinha perdido de novo. Algum tempo depois é anunciado mais um show, eu só pensava numa coisa TENHO QUE CONSEGUIR, TENHO QUE CONSEGUIR!. Só pensava nisso,  falava nisso, até que… consegui!! \o/

Embarquei pro Rio na madrugada de sexta pra sábado (o show era na segunda, mas né, não quis fazer como quando fui ao show do The Kooks e nem aproveitei Sampa direito). Minutos antes de pousar, de dentro do avião já fui me contagiando pela beleza daquela cidade. O sol reluzia tudo e ficava ainda mais lindo. Até pra quem não acredita mais nessas coisas, ver o Cristo Redentor de tão perto é emocionante. Tá, estava no Rio e era só  começo!

Fiquei num hostel em Ipanema e não poderia ter sido melhor, que bairro encantador. Para pessoas como eu, um bairro bem sinalizado, com placas por todos os lados e indicações corretas dos lugares é um sonho. Em meia hora, eu e Cássia já sabíamos todas as ruas por onde poderíamos ir e vir tranquilamente. Perfeito! Fiz coisas tipicamente de turista. Fiquei com cara de boba ao ver a praia, que diga-se de passagem, valeu muito a pena ter ido lá elas 7h da manhã. Praia vazia, só areia, mar e ondinhas. Depois de um tempo foram chegando os cariocas com seus cãezinhos, caminhando naquilo tudo. Pensei em como o Rott seria feliz ali, podendo caminhar na praia, dar uns mergulhinhos. Alguns até subiam em pranchas. Lindo! Continuamos nossa caminhada até o Arpoador, e que bela paisagem quando cheguei lá e me sentei. É tudo tão maravilhosamente lindo, que às vezes me pegava perguntando a mim se era tudo real. A beleza do Rio é tão simples e exuberante ao mesmo tempo. Difícil de definir. Você tem que ir ao Rio pra sentir aquele sol na cara e a brisa do mar te abraçando. Algumas pedaladas no patinho da Lagoa Rodrigo de Freitas, momentos hilários com duas irmãs que mais brigam do que qualquer outra coisa, fomos até o Engenhão retirar nossos ingressos.

Praia de Ipanema, 7h da manhã. Tudo meu!

Atravessamos a cidade, literalmente, fomos da Zona Sul à Norte em quase duas horas. Isso porque os fãs do show de domingo já começavam a ocupar a cidade, ruas, trens e metrôs. Nunca tinha tido a um estádio de futebol e de dentro do trem já estava assustada com o tamanho do Engenhão. Ao chegar, já avistei as filas crescendo e minha ansiedade aumentando. Só iria no show de segunda, mas a vibração dos que estavam ali me contagiou. E por muita, mas muita sorte mesmo, no EXATO momento em que estava na bilheteria quem passou por lá? PAUL McCARTNEY, o próprio, ele mesmo. Ele e sua escolta. Não consegui ver, mas já comecei a chorar por ver a emoção de quem viu. É inexplicável ver um beatle de perto e eu começava a entender.

Chega o dia! Cedinho já estou acordada, na verdade, não dormi direito. Coloquei o celular pra despertar às 7h, mas lá pelas 5h já estava sonhando acordada. Fizemos o trajeto do domingo até o Engenhão, mas dessa vez era diferente, as pessoas que eu ia encontrando pela frente seriam minhas companheiras de show também. Talvez por isso eu estivesse monossilábica, estava mais nervosa que o habitual. Coração palpitava, qualquer lembrança e lágrimas enchiam meus olhos. Já na fila, aproveitei pra cochilar um pouco no chão mesmo, já que a espera até entrar no estádio seria de umas 5 horas. Um pouco depois das 17h30 abrem-se os portões e eu saio correndo pra pegar o melhor lugar na arquibancada. E peguei mesmo. Primeira fila era minha! Mais quatro horinhas de espera e ansiedade e o show começaria.

Antes de ir para o show em si, preciso comentar do que foram essas horas de espera. Ouvi tantas histórias bonitas sobre os Beatles. Avós que passaram aos filhos e netos o amor à banda. Jovens que montaram suas bandas inspiradas pelo quarteto. Vovózinhas que eram jovens loucas e apaixonadas pelos garotos de Liverpool, vovôzinhos que diziam imitar as roupas e cabelos deles. E como não podia ser diferente num encontro de beatlemaníacos, tinha sempre um explicando e defendendo seu beatle preferido.

Agora sim, o show! 21h30, as luzes do Engenhão se apagam e ouço um sotaque inglês dentro de um terninho preto como aqueles usados pelos Beatles no começo da carreira. E essa voz cantava “Roll up. Roll up for the Mystery Tour…”, fiquei uns 30 segundos sem reação até começar a gritar e depois chorar. E coloquem muita ênfase nesse chorar. Sempre achava engraçado quando via aqueles videos dos Beatles jovenzinhos e as meninas se rasgando, passando mal e chorando. Até ver o Paul ali tão perto passei a entender na mesma hora. É a espera de quase 20 anos, sabe. Todas as vezes que ouvi e cantei Beatles se resumia ali, naquele lugar, com Macca cantando pra mim. Impossível não se emocionar. Era verdade, eu estava no show do Paul McCartney mesmo!

Macca! *-*

O show foi seguindo o ritmo ditado por Paul e sua maravilhosa banda. Todos incríveis e visivelmente felizes por estar ali, e eu mais ainda. O estádio delirava, cantava todas, Paul brincava com tudo como se fosse um garoto de 20 anos. Quando começa All My Loving olho pra trás e um casal de velhinhos se abraçam emocionados. Certamente, essa música embalou a historinha de amor deles. Paul se reveza tocando baixo, guitarra, violão, piano. E sempre conversando conosco. Entre uma música e outra, seco as lágrimas, tento bater umas fotos, filmo alguma coisa e canto todas. Quando ele faz a homenagem à George com Here Today, paro pra ficar só admirando. Fiquei a música toda encostada na mureta da arquibancada. Era só eu e o Paul. Pra mim não havia mais ninguém naquele estádio. Depois a homenagem à Lennon com Give Piece a Chance, aí lembrei que tinha mais gente ali, porque eram milhares de vozes pedindo uma chance à paz. Lindo! Let it Be e mais choro, mais emoção. Aquele riff incrível, Paul tocando suavemente as teclas do piano e eu em transe. Essa música tem significados especiais pra mim, depois de ouvi-la no show terá pra sempre e cada vez mais. Antes do primeiro intervalo, tive o privilégio de cantar Hey Jude com mais 40 mil vozes. Foi emocionante, primeiro os homens, depois as mulheres e como pediu Paul “now, all together!” Nananana-nanananana-nanananana…

Ele faz umas duas pausas até o grand finale já conhecido pelos fãs. Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band /The End com toda a psicodelia necessária, duelo de guitarras, gritos e o desejo de que não acabasse nunca. Quando Paul começa a cantar “And in the end, the love you take is equal to the love you make” é chegada a hora de me despedir de tudo aquilo. O show acaba, minhas lágrimas também, algumas ainda insistiam em cair enquanto Paul se retirava do palco e o sonho estava realizado! Que noite, quanta felicidade, quanta emoção, quanta alegria, quanto amor! Foi tão forte estar perto do Paul, porque diferente de outras cantores e bandas que amo, ele faz parte da minha vida desde pequena. Realmente cresci num universo beatlemaníaco, ouvindo, lendo, conhecendo histórias, arriscando algumas canções no violão, enfim, era muito estranho ter a sensação de que o Paul existe mesmo. Pode parecer idiotice, mas ele sempre foi meio inatingível, afinal de contas, ele é um beatle e eu apenas uma fã que ele nem sabe que existe. Tão distante, mas que naquelas horinhas ficamos perto, como nunca sonhei.

Só dormi porque o corpo pediu. Horas de viagem, espera, fila, cansaço. Quando acordei, a primeira coisa que fiz foi ligar a camera e rever os videos e fotos, queria ter certeza de que tinha ido ao show mesmo. Mal levantamos e fomos dar as últimas voltas no Rio. Já era terça e a cidade estava na ativa. Gente pra todo lado, barulho, sotaques e cariocas muito legais. Conheci a Confeitaria Colombo tão bem indicada pela minha brother Laís, que aliás, fez um roteirinho bacana pra eu não me perder por lá. Depois, Museu Nacional Belas Artes, lá ficamos a tarde toda, se pudesse ficaria mais um pouco. Era tanta coisa pra ver, ler e entender que o tempo foi curto. Achei tudo lindo, queria fotografar tudo, ler tudo, conhecer todas as obras. Algumas reconheci de longe, outras eram novidades. Ver Navio Negreiro do DiCavalcanti de perto, por exemplo, é uma das coisas que dá orgulho de ser brasileira.

Rio, voltarei!

A viagem chegava ao fim, fui até Ipanema já de tardezinha, pra dar um até logo aquela beleza toda. Voltarei ao Rio, com toda certeza. Espero que com mais tempo pra poder conhecer tudo que ficou faltando no roteiro. Mas o que vi já valeu muito a pena. Assim como toda metrópole, o Rio recebe muito bem seus visitantes, mas diferente de outras, ele abraça como mãe quem chega lá. A vontade de ir embora é bem pequena, ficar lá por mais alguns dias não seria ruim, não. É uma cidade maravilhosa e que tem um povo apaixonado por ela. Desde os mais pobrinhos até os mais abastados, todos amam aquele lugar, pelo menos os que eu conheci eram assim. Posso dizer que o Rio ganhou mais duas apaixonadas. Eu e Cássia voltamos pra casa, mas nossa cabeça vez ou outra se teletransporta pra lá. Foram dias belíssimos, com um show que marcou minha vida pra sempre. Não poderia ter sido mais especial. Não poderia ter sido melhor. Foi o que foi e foi perfeito!

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6 comentários sobre “There’s still a light that shines on me

  1. É muito bom realizar sonhos. Mas parece que não deixam de ser sonhos de tão fantástico e surreal.
    Fiquei muito feliz por você, brother, e temos que voltar ao Rio juntas. Afinal, foi indo pra lá que a nossa amizade se concretizou.
    Beijos,
    Laís

  2. Voltaremos, brother! Faremos os roteiros sem ninguém se perder na cidade maravilhosa. Foi lá que começou e se concretizou. Merece uma comemoração digna! 😀
    Percebi pelas sms o quanto estava feliz por mim, por isso dividi todos os momentos da viagem com a senhora. Haha.

  3. Oi, Bruna. Fiquei arrepiada só de lembrar do que foi esse show. Estava lá também e foi incrível. O Paul é muito lindo, né? E simpático, e fofo e cheio de alegria. nossa, foi muito bom!! Pena que eu cheguei no dia do show, nem pude conhecer o Rio como queria. Deixa pra próxima! 😀

  4. Boa tarde, Bruna. Sou estudante de Jornalismo na UERJ e quero fazer uma matéria sobre jovens que vieram ao Rio e ficaram em hostels. Li seu post e achei muito bonita sua história de fã. 😀
    Caso tope a entrevista, me mande seu e-mail, por favor.
    Obrigada!
    ps: o Rio ajuda, mas suas fotos ficaram ótimas! 🙂

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