A vida desensina

Desde criança a gente aprende que “lixo se joga no lixo”. Assim como aprende que não se deve furar fila, que é proibido estacionar na faixa de pedestre, que colar na prova é feio, que desobedecer mãe e pai é errado, responder alguém mais velho então, é pecado dos grandes. Falar de boca cheia nem pensar, não lavar as mãos antes de comer de jeito nenhum, comer doce antes do almoço também nunca pode, nem comer rápido demais. Enfim, aprendemos tudo isso até que um dia a gente esquece. Não, eu não como de boca cheia, mas desobedeço pai e mãe frequentemente, não como sem lavar as mãos (hoje em dia, tenho no alcool em gel meu amigo mais fiel e presente), mas como doces antes do almoço. Não furo filas, mas já colei na prova. É, nem tudo fica guardado na memória pra sempre.

 

Mas uma coisa que aprendi quando criança e nunca mais esqueci é que “lixo se joga no lixo”. Quando eu tinha uns 7 anos, mais ou menos, estava no centro da cidade com minha mãe e minha irmã, quando de repente cai um dos maiores temporais que eu já tinha visto nos meus longos 7 anos de vida. Minha mãe avistou o ônibus que ia pra nossa casa e saímos correndo desesperadamente com medo daquela chuva toda. Nessa correria, eu que estava chinelo, perdi um dos pés e avoada que sou, esqueci que estava chovendo e fui atrás do meu chinelo perdido. Eis que uma correnteza de papeis, caixas de sapato, latas de refrigerante, e toda forma de lixo levou meu chinelo junto sei lá pra onde. Pra algum bueiro, com certeza. De raiva, joguei o outro pé pra bem longe e subi no ônibus descalça. Aprendi duas coisas nesse dia: nunca ande de chinelo no centro da cidade, principalmente em dias de chuva e sempre jogue lixo no lixo! 

Lembrei disso hoje quando me vi sendo olhada de forma estranha porque simplesmente joguei o maldito lixo no lixo.

Fui ao supermercado e comprei um iogurte, fui tomando pela rua até chegar ao ponto de ônibus. Terminei e não encontrava nenhum cesto de lixo por perto. Até que avistei uma banca de jornal do outro lado da avenida e pensei “lá tem um cesto, com certeza, né?”. Atravessei a avenida, entrei na banca e perguntei pra moça “tem cesto de lixo aqui?”, ela ficou me encarando e disse que sim bem desconfiada. Joguei o iogurte no lixo e fui embora, sem comprar uma revistinha, um jornal, um nada.  Quando voltei ao ponto, duas pessoas me olharam estranhamente. Por um segundo, achei que eu estivesse errada. Deveria ter feito como a maioria faz: dá uma olhada pros lados, vê se ninguém está vendo e finge que caiu no chão. É, isso teria evitado aquela sensação ruim.

Talvez quem dá uma disfarçadinha e joga o lixo no chão nunca tenha perdido um chinelo num dia de chuva. Vocês não sabem o quanto isso é chato!

Anúncios

Solte o verbo!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s