Ele se transformou…

Proibiram o Laerte de entrar em banheiros femininos quando está vestido de mulher. Ele, como cidadão, recorreu à Justiça para ter direito ao acesso. Para quem não sabe, o cartunista é crossdressing, eu poderia escrever linhas analisando psicológica e antropologicamente o que é isso, mas vou simplificar, basicamente, Laerte é um homem que gosta de se vestir de mulher. Isso não faz dele gay, mas pode confessar, você acha um pouco estranho, não?

"O crossdressing, no meu caso, se refere menos à atividade sexual e mais à transposição de limites. É uma necessidade imperiosa de perscrutar e vivenciar os códigos femininos. Há ocidentais que se deleitam em investigar o Oriente. Experimentam comidas exóticas, fazem ioga, visitam a China. Da mesma maneira, por que um homem não pode empreender uma viagem radical pelo planeta insondável das mulheres?" entrevista a Bravo de setembro de 2010.

Fiquei pensando nisso uns dias porque a príncipío não tinha uma ideia formada se era contra ou a favor dele ter direito ou não de entrar num banheiro cheio de mulheres. É claro que isso causaria um espanto e até certo desconforto das que estivessem lá, mas será que só para elas? Será que para o Laerte também não é desconfortável entrar tanto num banheiro feminino quanto num masculino. Se por um lado, ele é visto como “um homem no banheiro das mulheres” do outro ele é “um homem vestido de mulher no banheiro dos homens”. Viu como é complicado? Qual a solução? Construir banheiros para crossdressings? Se for assim, banheiros para lésbicas também deverão ser construídos, gays também não poderão mais usar o banheiro dos homens heterossexuais, os travestis entrarão homens e sairão mulheres maquiadas e de salto alto em seus próprios banheiros. É assim que se faz numa sociedade dita, evoluída? Vamos segregrar uns aos outros MAIS ainda?

Acho que esse caso retrata muito bem o que todo mundo sabe, mas tenta esconder. O preconceito existe e ainda estamos bem longe de extingui-los. Triste, porém, é a mais pura realidade. Li a matéria que tratou do assunto e a mulher que chamou o gerente da pizzaria disse ter ficado “constrangida” por Laerte estar no mesmo banheiro que ela. Nesse mesmo banheiro que ela usa, lésbicas também frequentam, já que são mulheres. Devem ser proibidas também? E caso uma delas, digamos, se interessasse por outra mulher. O que essa lésbica faria? Agarraria a pobre mulher indefesa no banheiro? Rasgaria suas roupas e transaria com ela ali mesmo? Por favor, né, gente?!

Incrível a imagem que as pessoas tem dos homossexuais. Olham como se fossem bichos devoradores sexuais, que se você não tomar cuidado, te jogam na parede, sem perguntar teu nome e fazem o que querem, apenas para saciar desejos carnais. Sinceramente, acho isso retrógrado demais. Não me refiro ao Laerte, que namora uma mulher, inclusive, e é bissexual assumido, mas nas coisas que li por conta do caso. Sei lá, parece ser impossível mulheres conviverem “em paz” com lésbicas e homens jamais podem ter um amigo gay. Repare, basta você ter um amigo ou amiga gay que as pessoas já te intitulam como tal SÓ por isso. Então se eu passar a andar com amigos gordos, só falaremos de comida e iremos a lanchonetes encher a pança, logo, ficarei como eles, não?

Formei minha opinião e agora posso dizer que sou a favor do Laerte usar o banheiro feminino, sim! Qual o problema de ter um homem no banheiro feminino? Estupros e assédios sexuais só acontecem nesse local? Tem certeza? Agora, no MEU banheiro, na minha casa, só entra quem eu quero realmente,  porque lá não é público, lá não é todo mundo que tem acesso, mas no banheiro do shopping, do cinema, da pizzaria é outra coisa. Se um homem ou uma mulher quiserem me “atacar sexualmente” ou simplesmente ficar me encarando demais, tanto faz eu estar no banheiro, na igreja ou no estacionamento. Vamos pensar nisso e parar com essas discussõezinhas, ok?

Junto a todas matérias que li, algumas aliás, traziam a opinião do próprio Laerte, sempre irônico e sarcástico, fui atrás de uma canção da Pitty (mais uma vez por aqui) que fiquei sabendo, compôs uma música sobre essa tal “transformação” pela qual o cartunista passa toda vez que se veste de mulher. Gostei muito da parte em que ela diz que ele não faz isso para afrontar, mas para se divertir, mas ainda assim ele afronta e incomoda as pessoas. Só me digam por qual razão para que eu possa entender.

Um homem vestido de mulher no mesmo banheiro que eu não me incomodaria nem um pouquinho. Assim, como um gay, uma lésbica, um travesti, uma transsexual também não. Ser homem, mulher, gay, bissexual ou sei lá mais o quê não define a capacidade de praticar coisas erradas. Errado é olhar para essas diferenças como se fossem aberrações que devam ser escondidas da sociedade. Tudo isso existe, e não só no banheiro feminino. Não adianta tapar os olhos e  fingir que não vê. A sexualidade é muito mais do que dois órgãos genitais diferentes e o respeito por elas deveria ser o mínimo.

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20 comentários sobre “Ele se transformou…

  1. Ele desassossega o cotidiano de algumas pessoas. Eu acho ótimo mas nem todos têm essa percepção. Preferem ficar do jeito que estão, e isso não é condenável também, desde que haja respeito pelo outro.
    Interessante (e talvez contraditório) é que ele se veste como uma senhora “recatada”, discreta…

    • Você tem razão, brother. Talvez se o intuito fosse chocar de verdade, as roupas seriam mais provocativas. Se assim já causa essa polêmica toda, imagina se fosse diferente…
      Obrigada pelo comentário!

  2. Li com tanta empolgação que quando o texto acabou, queria mais.
    Excelente visão!
    Não sei se quando você escreveu isso estava sabendo da proposta de um deputado que quer criar banheiros para gays e lésbicas. Pelo jeito a ordem é segregar mesmo como você pensou…
    Voltarei mais vezes, adorei o blog!

  3. Oi, Evandro, obrigada pelo comentário! Li algo sobre isso, sim, confesso que fico com preguiça dessas propostas absurdas e nem leio direito para não sentir mais raiva. Se for aprovada, é mais uma prova da ignorância desse povo.
    Volte mais vezes, sim! 🙂

  4. sua linha de argumentação é bastante razoável, mas, por favor, considere mais estes pontos:
    1 – havia uma menina de 10 anos que estava ou ia entrar no mesmo banheiro, e não concordo ue ela já tivesse (ou principalmente que se possa exigir que tivesse) o instrumental teórico, digamos assim, pra lidar com a situação de um homem vestido de mulher no mesmo banheiro que ela – principalmte pq vc está esquecendo – de fato ou propositalmte – q pessoas gostam (e as vezes até precisam) de ficar à vontade nesses locais
    2- mesmo uma mulher adulta, e se ela não quiser, não se sentir bem, que alguem que não é do mesmo sexo que ela, alguem que nem mesmo escolheu o mesmo gênero que ela – pois quer e faz questão – de transitar nos dois gêneros , então, se ela não concordar que essa pessoa frequente o mesmo banheiro (por definição um lugar de muita intimidade, um lugar onde se que ficar totalmte a vontade, as vezes até consertar a roupa e/ou até tirar a própria roupa), então, nesse caso, quem tá tendo direitos tolhidos é ele/ela (Laerte) ou é ela?

  5. Oi, acampanate, assim como você achou minha argumentação razoável, discordo muito dos dois pontos colocados por você. Muito mais do primeiro, inclusive. Não sei se eu era uma criança diferente das demais, mas quando tinha 10 anos não me importava muito se a pessoa a minha frente era um homem ou mulher. Acho que para as crianças, os gêneros ainda estão bem longes de estarem definidos como estão para nós a medida que crescemos. E se essa menina se chocou tanto assim apenas com um homem vestido de mulher, coitada, o mundo ainda a chocará muito mais. É só ela crescer mais um pouco. Duvido que tenha sido um trauma tão grande assim como a mãe tentou justificar. Pra mim, não colou.

    Quanto ao segundo ponto, por favor, foi como eu escrevi, aquilo é um banheiro PÚBLICO. Na minha opinião, o Laerte teve muito mais direitos tolhidos e foi desrespeitado pela maioria das pessoas do que a mulher. Quem saiu ridicularizado da história foi ele e não a coitadinha da pobre mulher desrespeitada. Enfim, cada tem uma visão sobre o assunto, não é mesmo? Desde que o debate seja sadio e respeitoso, o interessante é conhecer quase todas elas. Por falar nisso, li o post no seu blog, e sinceramente, achei bem feio algumas horas, principalmente no final quando você tenta fazer uma piada sobre a suposta “dificuldade de escolha” do Laerte. Ele não tem dificuldade nenhuma em escolher quem é. Ele é um homem e ponto final.

    Obrigada pelo comentário!

    • Bruna,
      Ok, concordamos em discordar.
      Neste caso não posso nem usar a resposta que o Voltaire deu pro Rousseau quando este lhe enviou um exemplar d’O Contrato Social’: não concordo com uma só palavra do que dizes…porque concordo com várias palavras do que você disse.
      Não me incomodo com você ter achado feio a tentativa de piada que eu fiz com o assunto. E não concordo que ele não tem nenhum problema de escolha. Ele não é ´homem e pronto’ porque homem e pronto não acorda um dia com vontade de usar outro dress code e se vestir de mulher. Acho que aqui você está sendo simplista.
      Acho que você não levou em conta que, justamte por ser um banheiro público, as pessoas as vezes ficam, ou podem ficar, até peladas lá. Ninguém se choca se chegar num banheiro público e encontrar alguém ajeitando a roupa e deixando, de propósito ou não, partes do corpo, até as partes íntimas, descobertas lá. É um banheiro lembra? lá pode, é uma convenção social desta época e deste lugar entendeu? e se o Laerte quiser, num banheiro PÚBLICO, ele também, PODE ajeitar a roupa dele e até trocá-la, não necessáriamte dentro do box ou sei lá o que seja, q
      é apertado etc. E se a menina de 10 anos que tem que se preparar rápidamte pra vida segundo vc, entrasse num momento em que o Laerte, um homem de 60 anos, estivesse sem roupa, ela teria que aceitar isso com toda a naturalidade do mundo? Discordo muito de você nesse ponto.
      Mas, enfim.
      Oscar Wilde disse uma coisa muito profunda que as pessoas fazem questão de ignorar quase sempre, principalmte qdo lhes convém: ‘só as pessoas fúteis não se importam com a aparência’…é mais ou menos isso, não vou googlar agora.
      Aproveitando, naquele texto sobre o Quintana, você tem certeza de que, pelo menos na parte do ‘miserável é quem não consegue falar com Deus’ aquilo não é apócrifo? pergunto porque na internet tá cheio de textos de medalhões inventados e ou alterados por anônimos e essa parte não parece, pra mim, muito coerente com outras coisas maravilhosas do Quintana. E, de verdade, não estou dizendo isso porque sou ateu, porque não tenho problema de concordar com verdades venham elas de onde vierem, mas aquela coisa meio rasteirinha e pobre ali não tá parecendo coisa dele. Se for é uma decepção pra mim. Mesmo o crédito dele sendo muito grande comigo.
      Obrigado pela resposta.

      • Oi, acampanate,
        simplista é achar que homem só veste calça e sapato e mulher vestido e salto alto. Além de simplista segue um estereótipo bem antigo. Eu entendo sim, que pela tal convenção social devemos ter alguma intimidade no
        banheiro, mas acho um pouco contraditório ter privacidade em algo público. Privado, ao meu ver, é aquilo que é só meu e público é algo que é de todos. Posso estar sendo simplista (AGORA), mas é bem na linha do que eu escrevi no post, dentro da minha casa a situação é outra, porque “quem manda” sou eu, mas num banheiro público? Não sei.

        Olha, muito da sua discordância comigo no sentido de que a menina não tenha que ficar tão traumatizada assim por ver o Laerte trocando de roupa vem desse tabu que ainda temos com nossos corpos. Coisa que eu acho muito chata. Assim como acho chato pais que mentem para as crianças dizendo que elas vem da cegonha, ao invés de contar (respeitando a idade e sem entrar em muitos detalhes) a verdade, que não tem nada de assustador e muito menos traumatizante. Concordo que para aquela menina até pudesse ser “estranho” ver, num caso mais extremo, o pênis do Laerte. Não seria muito natural porque a sociedade nos cria assim. Ao mesmo tempo que venda isso das crianças, também vende pornografia e erotismo o tempo todo na televisão, revista e outras coisas. Quanto ao que o Wilde disse, discordo muito e totalmente, mas não vem ao caso, porque o assunto nem é esse. Pelo menos PARA MIM, há coisas muito mais importantes do que a aparência.

        Ah, o texto é inteiro do Quintana, sim. Estava com um livro de textos dele em mãos quando fiz o post, então acredito que seja dele, né? Não conheço tanto assim da obra dele para fazer um julgamento mais coerente, mas
        se você achou pobre e rasteirinha, tudo bem. Mais uma vez, cada um com sua opinião. Sendo agnóstica, eu não concordei e fiz um post sobre. Só isso.

        Obrigada mais uma vez pelo comentário!

        ps: recomendo a você procurar pela entrevista que o Laerte deu no Roda Viva ontem. Foi muito mais esclarecedora para mim.

      • ah sim…mas eu concordo com o fato de que a maneira de lidar com o corpo nesse tempo (e principalmte nesse lugar) em q a gente vive pode e deve ser discutido bastante. e até os nudistas eu vejo com bastante simpatia. a discussão que me interessa não seria bem por aí não, mas eu meio q me arrependi até de ter começado pq esse assunto na verdade me causa uma certa preguiça, de verdade, não tô falando pra incomodar não.
        agora, o que até me interessa bem mais, eu até pesquisei mais tb o lance lá do Quintana e vi um cara lá, peraí,armindo trevisan, http://cultura.centralblogs.com.br/post.php?href=de+mario+quintana+o+deus+vivo&KEYWORD=16544&POST=3853287
        que diz (meio com pena de admitir) que na verdade ele era agnóstico – o que eu considero um ateu envergonhado.rs. brincadeira. eu respeito. na verdade respeito até os religiosos (e respeitaria bem mais se eles respeitassem os ateus e agnósticos – alguém disse que os ateus apenas acreditam em um deus a menos que os cristãos p.ex.rs.)
        claro q ao pesquisar o assunto vi um padre ou bispo, sei lá, se esbaldando com o fato de o quintana ter falado aquilo.
        na verdade, por muitas outras coisas que li dele, acho mais que ele falou aquilo pra aproveitar o embalo do texto e mais ou menos como eu mesmo falo ‘pelo amor de deus’… de vez em qdo com meu filho e outras coisas do tipo.
        e mesmo q não fosse, como eu disse antes, ele tem tanto, mas tanto crédito comigo, por tantas coisas maravilhosas q escreveu, em poesia e em prosa, q o saldo continua e continuaria imenso.
        Abs , parabéns por não ofender em nenhum momento quem pensa diferente de você (e em mtos casos pelo q vi nem tão diferente assim) e ótimo resto de carnaval – q seja ele, o seu carnaval, do jeito q vc gosta q seja.

      • ah, Bruna, esqueci: sobre teísmo, ateísmo e agnosticismo, o alex castro do blog LLL, de quem eu discordo num caminhão de coisas mas com quem concordo em quase tudo sobre racismo e em tudo sobre ateísmo, tem um texto ótimo: ‘pessoas que acreditam em coisas’.

  6. Oi, acampanate, eu que agradeço você por termos “mantido o nível” nessa discussão. Às vezes, tenho um certo receio de entrar numa por não saber direito como a outra pessoa vai reagir às minhas opiniões. Acho que nesse ponto, mandamos muito bem! Quanto aos textos que você indicou, adorei! Principalmente do Alex, fiquei muito interessada no livro dele. Valeu!

    Sobre agnosticismo, uma vez conversei com um ateu e percebi que para poder me considerar realmente uma ateia preciso de muito mais leitura sobre o assunto antes. Não basta só dizer “não acredito em deus e pronto”. Aí voltamos ao simplismo que já falamos por aqui. Não sei se sou uma atéia envergonhada, no máximo, uma “quase atéia”. Vira e mexe volto a me questionar sobre isso e ainda não tenho uma resposta exata. Espero ter um dia ou não também. Não sei se preciso desse tipo de classificação para me afirmar como sendo alguma coisa ou outra.

    Obrigada pelos comentários e volte mais vezes!

  7. Sabe o que acho incrível? No banheiro feminino não há urinol como no banheiro masculino. As mulheres fazem seu xixi ou o número 2 atrás de portas privativas dentro de seu banheiro. A garotinha de 10 anos ou de 5 ou de 9 ou de 13 anos deveria ter sido lembrada pela mãe dela naquela oportunidade de que se aquela pessoa estava se vestindo de mulher e frequentando o banheiro feminino então só poderia ser uma mulher. Ora, quantas mulheres tem rosto masculinizado? Quantas mulheres perto dos seus 60 anos de idade tem problemas hormonais e acabam passando uma imagem de masculinizadas em vez de ser bem femininas? O que a mãe da garotinha fez foi incutir nela a desconfiança eterna de que qualquer pessoa que não se pareça bem feminina deverá ser uma pessoa masculina vestida de mulher. Por que a mãe não falou para a filhinha: deixe para lá, talvez seja uma senhora de idade e é assim mesmo??? Não, não deixou passar, mas, muito pelo contrário, agora a filhinha, mais tarde uma adolescente, uma garota, uma mocinha, uma mulher ficará de Xerife, de Vigilante duvidando de que aquela senhora de 60, 70 ou 80 anos de idade que entrou “no seu banheiro particular”, sem nem mostrar para ninguém seu sexo (seu genital), pois nenhuma mulher jamais consegue ver isso das outras ao usar seus banheiros de shoppings ou restaurantes, não seria de repente um senhor usando roupas femininas. Criou-se, assim, uma menina de 10 anos que será, provavelmente, uma Intolerante, como sua própria mãe. E isso é terrível em um país onde sempre se tenta ensinar às pessoas para que não firam os sentimentos dos próximos, dos outros, seja por serem gordos, muito altos, muito baixos, corcundas, deficientes físicos, síndrome de Down e outros problemas. É bem mais fácil julgar pessoas que não entram em um restaurante atirando, matando, sequestrando, roubando. O Brasil tem mania de endeuzar os bandidos do dinheiro público, tem mania de dar asilo a assassinos internacionais, de acobertar os bandidos… Pergunto: o Laerte é ladrão? É bandido? Outras pessoas como ele são isso também? O que o povo prefere? Alguém que é inocente em sua vida, que faz o bem como profissional e que quer ser apenas uma pessoa livre sem as amarras do gênero ou um Bandido do dinheiro público, um estuprador (que é lógico que ele não é), um pedófilo (que está na cara que ele não é), um assassino, um genocida? Chega de rotular pessoas inocentes em querer se vestir como queiram (não cometem e não cometeram crime algum), chega de julgar… Só Deus, e não a Bíblia escrita pelos homens, que nem Jesus escreveu seu apêndice, pode Julgar. Só Deus pode Julgar e não os seres humanos pequenos que se acham iguais a Ele ou até melhores do que Ele. Deus colocou pessoas como o Laerte no Mundo por motivos tais como: olharmos para ele e procurarmos entender aquele ser humano, aquela criatura Dele; olharmos pessoas como o Laerte e tentar sermos mais humildes, pois dentro de nossas famílias temos, em geral, um primo assim, um tio assim, uma tia assim, um amigo de infância assim. Ora, Deus não deixou pessoas assim Existir a toa (deficientes, travestis, cross-dressers e outros). A Mensagem Dele, muito provavelmente seja para olharmos esses SERES-HUMANOS e termos mais HUMILDADE, mais compreensão, mais empatia, MAIS HUMANIDADE. Aliás, quem disse que o Laerte é gay? Os comentários de pessoas que se põem no lugar de Deus e julgam o injulgável? Quando uma pessoa que se parece com mulher, com corte de cabelo bem curtinho, com roupinhas mais masculinas, entra em um banheiro masculino nada acontece, os homens não ficam revoltados. Por quê? Respondam vocês. Qual é a coletividade de estar totalmente vestido ou vestida de mulher e entrar no banheiro feminino??? Deveria ser obrigatório, no Brasil, no Ensino Médio, aulas e cursos de Lógica para que pessoas que escrevem sem pensar pensem antes de escrever. E quem foi que disse que o Laerte é gay??? Quem??? Nem ele disse isso. Ele disse ser bissexual no sentido de ser homem e ser mulher (o que significa, então, um bissexualismo de ideias ou de se sentir ser). Alguém sabe de concreto se ele, o Laerte, tem namorado? Claro que não. Mas tem namorada. Será que se comporta como lésbica em relação a ela? Alguém sabe disso com certeza? Se ninguém sabe de nada disso, favor não dizer nada, não conjecturar nada para que não se fale mais besteira do que já se foi dito a respeito do ser humano Laerte. “Mas meu Deus, minha filhinha pode ter visto aquela coisa…”. NÃO SE ESCONDAM ATRÁS DE SUAS FILHINHAS E FILHINHOS, DIGAM SIMPLESMENTE, COMO HOMENS OU COMO MULHERES, SOU INTOLERANTE EM RELAÇÃO ÀS PESSOAS DIFERENTES DE MIM. Assumam sua intolerância em vez de se esconder atrás de seus filhos. Assumam que não toleram pessoas que não sejam ou homens ou mulheres. Assumam e sejam sinceros, sem rodeios. O chato nessa história é que o mundo sempre foi feito das diferenças e não de suas semelhanças, está aí um dos Mandamentos de Deus. Aliás, que tal se todos os Juízes, os Julgadores dos seus semelhantes (não iguais, mas semelhantes) seguissem os 10 MANDAMENTOS DE DEUS, principalmente onde se lê: NÃO ROUBARÁS, NÃO COMETERÁS INCESTO… Há coisas muitíssimo mais graves e mais importantes do que julgar o outrem, ainda mais se esse outrem não for um Bandito, um Ladrão, um Psicopata, um Assassino. As criancinhas deveriam ser é protegidas de Pedófilos, de Ladrões do Dinheiro Público e não se tornar Intolerantes como seus tutores, seus pais e mães aqui na Terra. Todos somos Criaturas de Deus e os pais e mães deveriam ser apenas os Orientadores ou Tutores de seus filhos e filhas. Somos Filhos e Filhas de Deus, e o Laerte ou quem ele quiser ser ou achar ser também é filho ou filha DELE. Se assim não fosse, Deus não permitiria que houvesse pessoas como ele aqui na Terra, junto com pessoas que nasceram cegas, surdas, mudas, defeituosas (Deus quis que as pessoas conhecessem o diferente), deficientes mentais e/ou físicas. Devo acrescentar que certos pais e certas mães projetam em seus filhos sua própria Intolerância e escrevem críticas dizendo que não gostariam que seus filhos e filhas frequentassem ambientes onde houvesse os seres humanos e filhos e filhas de Deus do tipo Laerte. Ora, se não gostariam que frequentassem esses ambientes, basta ir embora, basta não frequentar. Ninguém, muito menos Deus, obriga que seus filhos e filhas fiquem incomodados. Não é a toa que há o dito popular “se não agrada, se mude”; ou seja, os incomodados se retiram. Isso serve para tudo. Não gosta dos seus vizinhos ou do seu vizinho de prédio, não gosta do administrador do seu condomínio… MUDE-SE em vez de ficar reclamando da vida e dos outros.

    • Oi, Erich.
      Concordo bastante com você e acho que ninguém nasce preconceituoso. Acredito sim que essas coisas são passadas dentro de casa. Não que a mãe dessa menina diga para ela que não deva respeitar fulano de tal porque ele é assim ou de outro jeito, mas só o fato de ter causado todo esse alarde coloca na cabeça da menina de que o Laerte e pessoas como ele, estão erradas e devem ficar longe dela. É triste pensar que tem gente que aja assim e faça com que seus filhos também ajam dessa forma.
      Muito obrigada pelo comentário!

    • estou a sua procura, gostaria muito de ouvir de vc. me liga ou deixa sms que retorno… camille m gabrielle 8412-2560

  8. Boa noite, Bruna.
    Compartilho totalmente da sua opinião.
    Tenho um grande amigo crossdresser e ando lendo bastante sobre o assunto. Não consigo acreditar que as pessoas não consigam AINDA entender que gays, lésbicas, gordos, feios, japoneses, negras, enfim, qualquer tipo de gente é GENTE e ponto final.
    Você está de parabéns não só pelo texto, mas por saber debater e confrontrar suas ideias com os demais.
    Adorei o blog também! Sucesso!

  9. Excelente texto, Bruna!
    Em tempos “infelicianos” é bom ler esse tipo de coisa, sabia? Por um lado é bom ver a diversidade sexual sendo discutida quase todos os dias nos sites, jornais e programas de televisão, mas por outro, ver como tem gente de cabeça pequena é triste.
    Admiro muito o Laerte pela coragem. Quantas pessoas como ele não devem ter sido discriminadas e foram embora para casa de cabeça baixa? Ele é um ótimo exemplo.
    Curti muito seu post. Até compartilhei. 😀
    Abração!

    • Oi, Sebastian.
      Concordo totalmente com você! Vamos discutir, vamos debater e vamos nos respeitar, não é?
      Obrigada pelo comentário e por ter compartilhado o texto! 😀

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