Por que chorava aquela moça?

Foi um dia daqueles! Daqueles para apagar da memória. Pensando bem, não, não foi um dia para apagar da memória. Tem dias que tudo que se queria é que ele nem tivesse começado. Eu estou contando os minutos para que esse acabe o quanto antes. Mesmo assim, quando eu deitar a cabeça no travesseiro (isso se eu dormir com essa insônia, né.) não vou esquecer. Então de nada adiantará.

Desde que escolhi o Jornalismo para tocar minha vida, sabia que ia ser punk quase sempre, mas sei lá, de vez em quando até bate uma esperança, até dá uma alegriazinha. Dá e passa. Ontem deu, hoje passou. Estou cada vez mais convencida de que estou no mundo errado e na profissão certa. Vai entender. Odeio qualquer tipo de sofrimento, a menos que seja o meu. Explico: quando fico sabendo de uma merda alheia, mesmo que a minha vida esteja numa merda maior, acabo sofrendo mais pela alheia. Deve ser por essa mania de sempre ver o lado ruim das coisas para mim e conseguir ver esperança nos outros. Vai entender também.

Foi um dia daqueles! Daqueles em que eu me segurei o dia inteiro pra deixar para chorar em casa. Só depois que a adrenalina passou é que a ficha caiu e as lágrimas vieram. Depois das lágrimas, a dor de cabeça (típico de quem não tem o costume de chorar). Agora, acabo de ler esse texto do Xico Sá, de quem venho me tornando fã aos poucos e me sentindo pior ainda. Não por saber que não sou como a maioria, – as que choram por qualquer coisa ou por muitas coisas -, mas por ter certeza de que mesmo que eu quisesse ter chorado em público, hoje não ia rolar. Eu não posso fazer isso. Chorei por dentro enquanto pude, até não aguentar mais. Ou até o expediente acabar.

Enquanto escrevo isso, algumas lágrimas ainda escorrem no meu rosto, mas amanhã quando colocar em ordem todas as ideias e terminar meu “texto jornalístico”, nenhuma lágrima poderá ser vista, muito menos percebida. O jornalista no fundo é um desalmado cheio de alma, só que ela TEM que passar batida. Puxa, que dia…

Take what you need
And be on your way
And stop crying your heart out

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4 comentários sobre “Por que chorava aquela moça?

  1. Oi, Bruna, não sei se isso foi uma crônica ficcional ou o relato de uma jornalista mesmo. Seja como for, me tocou bastante. Acredito que tenha entendido a sua agonia nesse dia de trabalho, porque também me sinto assim de vez em quando. Como jornalistas, somos impedidos de transmitir certos sentimentos, é verdade, mas nada nos impede de tê-los, não?
    Pelo que percebi você é uma garota cheia deles e que bom que tens um blog para “vomitar” esse incômodo.
    Boa sorte na sua caminhada!

    Ah, parabéns pelo bom gosto musical também. Stop Crying traduz perfeitamente tudo isso que você falou.
    Abraços!

    • Oi, Antonio. Obrigada pelo comentário!
      O texto foi o real e a dor naquele dia mais ainda. Também acho ótimo poder jogar parte do que eu sinto aqui no blog. É um pouco menos angustiante, viu.
      Valeu pelas palavras e boa sorte na sua caminhada também!

      A música sempre nos salva de qualquer momento ruim, né?
      Volte ao blog!
      😀

  2. Que texto lindo, Bruna! E fechou com chave de ouro ao incluir Oasis.
    Adorei o texto do Xico também. 🙂

Solte o verbo!

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