Finais felizes: até quando?

​Estamos tão acostumados com “finais felizes” em filmes que quando assistimos a um que não segue esse padrão, ​a história fica grudada na cabeça. Domingo retrasado vi “Os homens são de Marte e é pra lá que eu vou”, maravilhosamente protagonizado pela maravilhosa Mônica Martelli e fiquei tão feliz, mas tão feliz em saber que um filme desses está arrebentando nos cinemas. Daí que ontem, a insônia bateu forte e passeando pelo Youtube cai no link para ver “De pernas para o ar”, com a Ingrid Guimarães. Vi, me decepcionei, aí vi a sequência e terminei de me decepcionar. Vamos às explicações.

Os dois filmes começam com o clássico estereótipo da mulher que por dedicar sua vida ao trabalho, não consegue ser feliz no “amor de novela”. Enquanto a Fernanda, da Mônica Martelli está quase nos 40 anos, sem filhos, marido e cheia de desilusões amorosas, a Alice, da Ingrid, é casada com um cara gente boa, tem um filho, é super bem sucedida na profissão e vai mal na cama. No decorrer da história, a Fernanda tem novas desilusões tentando achar o cara dos seus sonhos, continua mantendo seu emprego, sendo gata e engraçada. Já a Alice tem um orgasmo pela primeira vez na vida, é demitida e o marido pede um tempo.
And?
And?

Tanto um quanto o outro falam dessa mulher de hoje, que ainda está tendo que aprender a lidar com os prós e contras de suas últimas conquistas políticas, sociais e econômicas. Mulheres não ficam mais em casa cuidando da família, elas foram às ruas atrás de um emprego. Mulheres não esperam mais o príncipe encantado de cavalo branco, elas chamam aquele moço interessante para tomar um chopp se tiverem vontade. Mulheres não são mais doces e delicadas como manda o figurino, elas falam palavrão e brigam no trânsito. Mulheres não se calam mais diante de um tapa, elas vão até a delegacia e mesmo com muita vergonha e medo, denunciam seus agressores. Mulheres não são mais feitas SÓ para casar e terem filhos, elas também querem independência e a tranquilidade de viverem sozinhas (não, solitárias). Enfim, tem muita coisa acontecendo por aí e parece que a galera ainda não se acostumou.

Esqueci de falar, mas no filme com a Fernanda, tem o Paulo Gustavo. Só a título de informação mesmo. :)
Esqueci de falar, mas no filme com a Fernanda, tem o Paulo Gustavo. Só a título de informação mesmo. 🙂

Não vou contar o final dos filmes, mas o fato é que a Fernanda termina muito mais feliz ao se tocar que ela não precisa obrigatoriamente encontrar “um certo alguém” para ser uma mulher completa. Fiquei triste com o final da Alice que caiu nessa de “coloque a família e o amor em primeiro lugar e esqueça o emprego que te faz feliz”. Na verdade me deu sono também… Até quando uma mulher bem sucedida profissionalmente tem que ser infeliz nos relacionamentos? Até quando tem que ser feliz nos relacionamentos? Até quando tem que ter um relacionamento? Temos que estar sempre com alguém? É isso mesmo?

Post ao som de: Ludov – Kriptonita
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10 comentários sobre “Finais felizes: até quando?

  1. “Mulheres não ficam mais em casa cuidando da família, elas foram às ruas atrás de um emprego. Mulheres não esperam mais o príncipe encantado de cavalo branco, elas chamam aquele moço interessante para tomar um chopp se tiverem vontade. Mulheres não são mais doces e delicadas como manda o figurino, elas falam palavrão e brigam no trânsito. Mulheres não se calam mais diante de um tapa, elas vão até a delegacia e mesmo com muita vergonha e medo, denunciam seus agressores. Mulheres não são mais feitas SÓ para casar e terem filhos, elas também querem independência e a tranquilidade de viverem sozinhas (não, solitárias)”.
    Copiei e colei no Facebook. Muito bom!

  2. que maravilha de texto. adorei a “sinopse” dos filmes. você conseguiu captar muito bem a mensagem dos dois. parabéns! curti o blog e a tattoo na perna também. 🙂

    • Meu, que nojo desse tipo de comentário. Sapatão é assim, não pode ver mulher que já sai dando em cima.

      • Oi, Padilha. Nojento é esse seu comentário, né? Não vi o comentário da moça como uma “cantada”, MAS, e se tivesse sido?? Qual o problema mesmo? Preconceito nesse blog? Tô fora, hein?!

        ps: e pra você, Fabiane, eu mando um beijão! 😀

      • Já não é a primeira nem a última vez que lido com isso, Bruna, relaxa. Você foi muito gentil na resposta, mas nem perca seu tempo com esse tipo de gente. Recebi o beijo e retribuo! 😉
        Padilha, só elogiei porque curti muito o texto e o blog também. Como SAPATÃO que sou, não pude deixar de reparar em quem escreveu e sim, curti também. No mais, late mais alto que daqui eu não te escuto. Rs.

Solte o verbo!

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