Máquina do tempo

Acabei de ver esse vídeo e já ia postá-lo no Facebook, mas decidi publicá-lo aqui no blog. No meu raciocínio, dessa forma, mais pessoas podem ter a chance de ver essa maravilha. E vale a pena.

O vídeo é muito simples. Eles mostram algumas cenas dos Beatles para que crianças entre 6 e 14 anos comentem. Melhor do que os comentários, observem a reação de alguns deles ao verem meus mocinhos. Não preciso nem dizer que eu passo mal vendo essas coisas, né? Passo mal quando vejo qualquer pessoa curtindo Beatles. É incontrolável. Desculpem.

Apesar de todas as diferenças e problemas que eu já tive e ainda tenho com meu pai (quem nunca?), uma coisa eu devo a ele. Ter me viciado em Beatles antes mesmo de eu conseguir dizer não foi a melhor coisa que ele fez por mim. Aprendi a falar, praticamente na mesma época em que comecei a cantar as primeiras músicas deles. Depois, maiorzinha, ganhei um teclado de brinquedo, que ADIVINHEM, tocava “Let it Be”. E é claro, que eu tocava aquilo o dia inteiro. Levava para a escola e tudo. Fui até parar na coordenação porque tocava na sala de aula, quando as professoras já tinham me avisado que era só para a hora do recreio. Aí um belo dia, uma delas tomou o teclado de mim e eu, revoltadíssima, dei início a uma revolucionária guerra de papeizinhos, recrutando todas as crianças que por motivos óbvios, tinham um pouco de medo de mim. Fim da história: consegui recuperar meu teclado e fiquei feliz o resto do dia. Como é fácil ser criança, né? 🙂

Depois dessa bela e encantadora história, vejam o vídeo que eu citei lá no começo do texto. Quem sabe daqui a alguns anos uma dessas crianças criem um blog e postem alguma coisa sobre os Beatles, né? Não acho difícil.

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Meus garotos de Liverpool

Boca seca, garganta fechada, olhos lacrimejando, coração palpitando, mãos tremendo e a cabeça em parafusos. Essa era eu ontem de manhã momentos antes da minha defesa de monografia. Sem dúvida, foi um dos dias mais lindos da minha vida. E foi lindo pela mistura de sentimentos. Tristeza e alegria. Alívio e medo. Prazer e agonia. Realização e um recomeço.

Passar por uma faculdade é bem mais do que frequentar corredores, blocos, restaurante universitário, biblioteca, coordenações, diretório acadêmico, é bem mais do que ter aulas chatas ou incríveis, é bem mais do que ficar até de madrugada terminando trabalhos de última hora, é bem mais do que querer matar professores ou ser amiga de alguns para sempre. É bem mais do que tudo isso.

E defender a sua monografia é bem mais do que medo, ansiedade, orgulho, satisfação, tensão, prazer. É tudo junto e outras coisas que eu não consigo definir quais são. Tive o privilégio de falar dos Beatles na minha monografia. Banda que eu AMO desde criança. A minha banda.

Só por isso me deu muito medo. Tive medo de não estar à altura deles. Tive medo de não conseguir colocar no papel tudo aquilo que eu aprendi não só nos livros, jornais e tudo que eu pesquisei, mas tudo aquilo que eu vivi também. No último ano, respirei mais Beatles do que em todos os meus 22 aninhos beatlemaníacos.

Eles estiveram e sempre estarão presentes em todas as fases da minha vida. Simplesmente porque eles já fazem parte de mim de uma forma inexplicável. E foi inexplicável o que eu senti ontem de manhã.

Enquanto eu discursava sobre a história deles, do rock, dos mitos, da música e todo o meu trabalho, não parava de ouvi-los cantando para mim. As imagens daquelas fãs histéricas dos anos 60 iam e voltavam na minha cabeça. Eu queria que elas estivessem ali me vendo. Esse trabalho foi para elas também. Elas que viram eles de perto quando todos estavam juntos. É, mas elas não estavam ali. Nem elas, e nem eles todos juntos também. Na minha frente, só os professores da minha banca e alguns dos meus melhores amigos.

Fã e "pesquisadora"
Fã e “pesquisadora”

Conclui minha pesquisa ainda mais fã dos Beatles, como se fosse possível. Estou orgulhosa DEMAIS pelo que fiz. Pode ser que tenha sido exagerado demais. Pode ser que eu enquanto “pesquisadora”, falhei porque não consegui me desligar do “objeto de estudo”. Essas formalidades todas, confesso, enchem o saco e dão até um desânimo em continuar na vida acadêmica, mas serviram para que eu pudesse ver que eu fui eu do começo ao fim do trabalho: exagerada, dramática, tendenciosa e apaixonada.

Não tem jeito, quando o assunto é Beatles não consigo ser de outro jeito. Desculpa, sociedade acadêmica!

Tirei um lindo 10 e chorei no final. Já esperava por isso. Não pelo 10, mas pelas lágrimas. Por mais que eu soubesse que meu trabalho estava bom, ouvir isso de professores tão competentes foi uma surpresa. Mas querem saber? Moneatles ficou foda mesmo e é o melhor trabalho de Jornalismo que aquela UFMT já viu! YEAH! Eu disse que era exagerada e tendenciosa…

Faria tudo de novo e do mesmo jeito. Com o mesmo aperto no coração, com as mesmas noites mal dormidas digitando parágrafos intermináveis. Com a mesma emoção em descobrir coisas novas da vida deles. Com a mesma falta de fôlego ao ver entrevistas e documentários deles. Com o mesmo medo e a sensação de “não vai dar tempo!”. Faria tudo com o mesmo amor.

E se eu dia alguém pegar esse trabalho, lê-lo inteiro e por algum motivo se interessar pelos Beatles, baixar algumas músicas, assistir alguns vídeos e curtir qualquer coisa deles, pronto, missão cumprida!