Que venham mais 365!

O mundo não acabou, mas um ciclo ficou para trás. Um ciclo de pouco mais de quatro anos. Muitas histórias, muitas risadas, muitas lágrimas, muitas derrotas, muitas vitórias, muitos livros lidos, outros tantos esperando sua vez na estante, muitos abraços, muitos beijos, muitos palavrões, muitos tapas da vida, muitos socos de raiva no travesseiro, muitas cenas repetidas, muitas coisas deixadas de lado, muitos sonhos realizados, outros frustrados, muito suco, muita cerveja, muitos momentos de “o que é mesmo que eu tô fazendo aqui?”, outros de “por que é que eu não vou até lá?”, muitas palavras que não deveriam, mas foram ditas, muitas outras que eu não queria, mas ouvi. Enfim…

Passei os últimos meses desejando muito me formar, pegar meu diploma e dizer que agora sou jornalista. Pois é, esse dia chegou. Aqui estou eu não mais escrevendo como uma jovem estudante de jornalismo. A responsabilidade aumentou e bate um medo. E AGORA? Sem desculpas de que sou estagiária e por isso posso errar. Sem desculpas de que não fiz alguma coisa porque “a faculdade tá foda, cara”. Sem ter que acordar cedo para não perder a lista de chamada às 7h30. Sem aguentar ônibus lotado ao meio-dia no trajeto faculdade-estágio. Sem as sinucas depois da aula. Sem a rixa com os colegas de outros cursos. Sem as surpresas no cardápio do Restaurante Universitário. Sem os debates políticos. Sem a desculpa de encher a cara porque “a faculdade tá foda, cara”. Sem a vontade de largar tudo e virar hippie. Sem a companhia dos meus amigos. Sem nada disso e louca pelo que vem pela frente.

borboÉ, chega de saudosismo. Passar por uma faculdade é realmente MUITO foda. Por questões óbvias, é um dos períodos de maior amadurecimento que qualquer um possa ter, não só pela idade, mas pelo que somos obrigados a enfrentar. Confesso que nunca fui aquele tipo de criança que falava “vou chamar meu pai” quando tinha algum problema na escola, mas na faculdade é diferente. É você por você mesmo. Não tem pai nem mãe. Tem você. E é você que tem que se virar, que tem que aprender, que erra, se orgulha, se engana, chora sozinho, ri dos outros, ri de si mesmo.

Sendo hoje o primeiro dia do ano, é dia também de renovar as expectativas e torcer muito para que seja o início de uma bela fase. Estou confiante de que será. Se não for, é torcer para acabar logo e recomeçar no ano que vem, né. Não fiz minha lista de 2013, na verdade, nunca faço. Vou tocar a vida como sempre: bagunçada, desorganizada, reclamona e esquecida.

Um bom ano a todos!

Ah, preciso dizer que 2012 foi ainda mais lindo porque pude ver meus amores do Kooks pela segunda vez. Que venha a terceira!! ❤

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Meus garotos de Liverpool

Boca seca, garganta fechada, olhos lacrimejando, coração palpitando, mãos tremendo e a cabeça em parafusos. Essa era eu ontem de manhã momentos antes da minha defesa de monografia. Sem dúvida, foi um dos dias mais lindos da minha vida. E foi lindo pela mistura de sentimentos. Tristeza e alegria. Alívio e medo. Prazer e agonia. Realização e um recomeço.

Passar por uma faculdade é bem mais do que frequentar corredores, blocos, restaurante universitário, biblioteca, coordenações, diretório acadêmico, é bem mais do que ter aulas chatas ou incríveis, é bem mais do que ficar até de madrugada terminando trabalhos de última hora, é bem mais do que querer matar professores ou ser amiga de alguns para sempre. É bem mais do que tudo isso.

E defender a sua monografia é bem mais do que medo, ansiedade, orgulho, satisfação, tensão, prazer. É tudo junto e outras coisas que eu não consigo definir quais são. Tive o privilégio de falar dos Beatles na minha monografia. Banda que eu AMO desde criança. A minha banda.

Só por isso me deu muito medo. Tive medo de não estar à altura deles. Tive medo de não conseguir colocar no papel tudo aquilo que eu aprendi não só nos livros, jornais e tudo que eu pesquisei, mas tudo aquilo que eu vivi também. No último ano, respirei mais Beatles do que em todos os meus 22 aninhos beatlemaníacos.

Eles estiveram e sempre estarão presentes em todas as fases da minha vida. Simplesmente porque eles já fazem parte de mim de uma forma inexplicável. E foi inexplicável o que eu senti ontem de manhã.

Enquanto eu discursava sobre a história deles, do rock, dos mitos, da música e todo o meu trabalho, não parava de ouvi-los cantando para mim. As imagens daquelas fãs histéricas dos anos 60 iam e voltavam na minha cabeça. Eu queria que elas estivessem ali me vendo. Esse trabalho foi para elas também. Elas que viram eles de perto quando todos estavam juntos. É, mas elas não estavam ali. Nem elas, e nem eles todos juntos também. Na minha frente, só os professores da minha banca e alguns dos meus melhores amigos.

Fã e "pesquisadora"
Fã e “pesquisadora”

Conclui minha pesquisa ainda mais fã dos Beatles, como se fosse possível. Estou orgulhosa DEMAIS pelo que fiz. Pode ser que tenha sido exagerado demais. Pode ser que eu enquanto “pesquisadora”, falhei porque não consegui me desligar do “objeto de estudo”. Essas formalidades todas, confesso, enchem o saco e dão até um desânimo em continuar na vida acadêmica, mas serviram para que eu pudesse ver que eu fui eu do começo ao fim do trabalho: exagerada, dramática, tendenciosa e apaixonada.

Não tem jeito, quando o assunto é Beatles não consigo ser de outro jeito. Desculpa, sociedade acadêmica!

Tirei um lindo 10 e chorei no final. Já esperava por isso. Não pelo 10, mas pelas lágrimas. Por mais que eu soubesse que meu trabalho estava bom, ouvir isso de professores tão competentes foi uma surpresa. Mas querem saber? Moneatles ficou foda mesmo e é o melhor trabalho de Jornalismo que aquela UFMT já viu! YEAH! Eu disse que era exagerada e tendenciosa…

Faria tudo de novo e do mesmo jeito. Com o mesmo aperto no coração, com as mesmas noites mal dormidas digitando parágrafos intermináveis. Com a mesma emoção em descobrir coisas novas da vida deles. Com a mesma falta de fôlego ao ver entrevistas e documentários deles. Com o mesmo medo e a sensação de “não vai dar tempo!”. Faria tudo com o mesmo amor.

E se eu dia alguém pegar esse trabalho, lê-lo inteiro e por algum motivo se interessar pelos Beatles, baixar algumas músicas, assistir alguns vídeos e curtir qualquer coisa deles, pronto, missão cumprida!